Diversidade

12 rainhas e princesas negras para a criança que ouviu de racista que ‘não existe princesa preta’

por: Karol Gomes

“Mamãe, é verdade que não existe princesa preta? Eu fui brincar, a mulher falou. Fiquei triste e com medo de contar para você. Ela falou que não tinha princesa preta. Eu chorei, mamãe”, escreveu a pequena Ana Luísa Cardoso Silva, de 9 anos. 

Ela ouviu esta calúnia durante um piquenique que a família resolveu fazer no Parque Ipiranga, em Anápolis, a 55 km de Goiânia, na área reservada para crianças. A menina havia chamado outra garota para brincar de castelo e princesa. Foi quando, de acordo com Ana Luísa, uma mulher loira, sentada num banco próximo à recreação, falou para ela que “não existe princesa preta”.

Foto: Luciana Cardoso/Arquivo Pessoal

A criança ficou tão triste com o que ouviu que preferiu colocar os sentimentos em palavras, num bilhete que deixou em cima da cama para que a mãe, a humorista Luciana Cristina Cardoso, de 42 anos.

Ao compartilhar a história nas redes sociais, Luciana relata que histórias de contos de fadas protagonizadas por princesas são as favoritas de Ana Luísa. Sua favorita é a rainha Elsa, de Frozen

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“Notei que ela estava triste desde aquele dia no parque mas não quis me contar. Quando eu li a carta, chorei muito. Ela é criança e não entende ainda”, relata a mãe.

A mãe de Ana Luísa afirma que vai registrar um boletim de ocorrência pelo ato de racismo praticado contra a filha. Até a publicação desta reportagem, ela não soube informar quem é a mulher que falou com a pequena no parque.

Mas o que já sabemos sobre ela, é o fato de que está enganada. Princesas pretas existem sim e não só como parte da imaginação de meninas em busca de representação – elas são de verdade! Listamos aqui lindas princesas e rainhas negras para sempre lembrar a Ana Luísa que ela existem e são possíveis, pois representatividade importa

Meghan, Duquesa de Sussex (Reino Unido)

De origem afro-americana, Meghan fez sua carreira – e sua fortuna – antes de tornar-se duquesa. Ficou conhecida principalmente nos Estados Unidos, onde nasceu, como a Rachel Zane da série Suits. 

Em maio de 2019, largou oficialmente a sua carreira para casar-se com o duque Harry, da família real britânica, tornando-se duquesa de Sussex. Os dois já tem um pequeno herdeiro: Archie!

A imprensa britânica é constantemente violenta e racista com a nova duquesa, o que já fez com que Harry escrevesse apelos e repúdios em nome da família. 

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Mas ela segue sempre provando que meninas negras e não brancas podem sim ser princesas, por meio do seu trabalho voluntário e a insistência em trabalhar em causas feministas, menos que isso não seja uma tradição da realeza inglesa. 

Keisha Omilana, princesa da Nigéria

A norte-americana da Califórnia tem uma história muito parecida com a de Meghan. Keisha era uma modelo em ascensão quando conheceu o príncipe Kunle Omilana, de uma tribo da Nigéria. 

Juntos, tiveram um filho, Diran. Mas, apesar do sangue nobre, a família optou por fixar residência em Londres, onde é proprietária da rede de televisão cristã Wonderful-TV.

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Tiana, de ‘A Princesa e o Sapo’

Essa é uma princesa de mentirinha, mas que inspira de verdade. A clássica lenda de “A Princesa e o Sapo” ganhou uma protagonista negra na animação de 2009. É sobre a jovem Tiana, uma garçonete e aspirante a proprietária de um restaurante no Bairro Francês de Nova Orleães, nos Estados Unidos, durante a Era do Jazz. 

Trabalhadora e ambiciosa, Tiana sonha em um dia abrir o seu próprio restaurante, mas seus planos tomam um rumo diferente quando ela conhece o príncipe Naveen, transformado em um sapo pelo maldoso Dr. Facilier.

Tiana então embarca em uma aventura para ajudar o monarca e, sem saber, em uma história de amor.

Akosua Busia, princesa de Wenchi (Gana)

Sim! A atriz de “A Cor Púrpura” (1985) e “Lágrimas do Sol” (2003) é uma princesa na vida real! A ganesa escolheu a dramaturgia a realeza.

Seu título vem de seu pai, Kofi Abrefa Busia, príncipe da Família Real de Wenchi (no território ganês de Ashanti). .

Hoje, aos  51 anos ela se mantém trabalhando no cinema, mas como escritora e diretora. 

Sikhanyiso Dlamini, princesa da Suazilândia

Descendente de uma nação patriarcal, Sikhanyiso é herdeira do rei Mswati III, que tem nada menos que 30 filhos e 10 esposas (a mãe dela, Inkhosikati LaMbikiza, foi a primeira com quem ele se casou).

Por não concordar com a maneira com que seu país trata as mulheres, ela ficou conhecida como uma jovem rebelde.Um exemplo que pode parecer até bobo para nós, no Brasil, é o fato de ela usar calças, o que é proibido para mulheres em seu país.

Moana, de ‘Moana: Um Mar de Aventuras’

Princesa e heroína: Moana é filha do chefe da ilha de Motunui, na Polinesia. Com a chegada da vida adulta, Moana começa a se preparar, mesmo relutante, para seguir a tradição, e o desejo do pai, e se tornar líder de seu povo. 

Mas, quando uma antiga profecia envolvendo um poderoso ser de lendário ameaça a existência de Motunui, Moana não exita em viajar em busca de paz para o seu povo.

Elizabeth Bagaaya, princesa do Reino de Toro (Uganda)

Por causa de regras antigas que determinavam que homens tinham vantagem na sucessão ao trono, Elizabeth nunca teve chance de ser rainha de Toro, mesmo sendo filha de Rukidi III, o rei de Toro entre 1928 e 1965. Por isso, ela continua carregando o título de princesa até hoje, aos 81 anos de idade.

Ela estudou direito na Universidade de Cambridge (Reino Unido) e foi a primeira mulher africana a receber o título oficial de advogada na Inglaterra. 

Sarah Culberson, princesa da Serra Leoa

A história de Sarah é quase um conto de fadas moderno. Adotada por um casal dos EUA ainda bebê, ela vivia tranquilamente em West Virginia até 2004, quando sua família biológica entrou em contato. Ela descobriu assim, de repente, de que era uma princesa, descendente da família real da tribo Mende, um dos reinos da Serra Leoa.

A história seria mágica não fosse o fato de que seu país de origem foi devastado pela guerra civil. Sarah ficou desolada ao conhecer a Serra Leoa. Depois da visita, ela voltou aos EUA, onde criou, em 2005, a Fundação Kposowa, na Califórnia, com o objetivo de angariar fundos para os serra-leoninos. Entre as ações da fundação estão a reconstrução de escolas destruídas pela guerra e o envio de água potável para a população mais necessitada de Serra Leoa.

Ramonda, rainha de Wakanda (‘Pantera Negra’)

Assim como o reino africano de Wakanda, Rainha Ramonda, é uma personagem ficticia dos quadrinhos e filmes da Marvel. Mãe do Rei T’Challa (e herói Pantera Negra), ela é a representante do matriarcado africano, liderando as Dora Milaje e sua filha, a princesa Shuri. 

Shuri, princesa de Wakanda (‘Pantera Negra’

Nos quadrinhos do Pantera Negra, Shuri é uma garota impulsiva e ambiciosa que se torna rainha de Wakanda e nova Pantera Negra, já que este poder é passado de gerações em gerações da realeza em Wakanda. Infelizmente, ela morre se sacrificando para defender sua nação de um ataque do Thanos. 

Já no cinema, Shuri é simplesmente a pessoa mais inteligente do mundo e responsável por toda a tecnologia avançada em Wakanda. Ela também é uma forte guerreira que apoia o seu irmão, o Rei T’Challa em combate. Em “Pantera Negra”, ela se por seu espírito alegre e humor afiado.

Angela, princesa de Liechtenstein

De volta para a vida real, tem a história da primeira negra a casar com um membro de família real europeia, antes mesmo de Meghan Markle, Angela Gisela Brown já era ormada pela Parsons School of Design, de Nova York (EUA), e trabalhava com moda quando conheceu o príncipe Maximiliano, do principado de Liechtenstein. 

O casamento aconteceu em 2000 e, diferentemente do que ocorre no Reino Unido, em que as esposas dos príncipes recebem títulos de duquesas, em Liechtenstein Angela foi imediatamente considerada princesa. 

Ariel, de ‘A Pequena Sereia’

Por mais que as pessoas ainda sejam muito relutantes em aceitar representação negra na ficção, é melhor começar a se acostumar com a nova versão do conto da Pequena Sereia, lançado pela Disney em sua primeira versão em 1997. 

A jovem atriz e cantora Halle Bailey foi a escolhida para viver Ariel na versão live-action com início de filmagens previsto para este ano! Aos 19 anos, a Halle já aprendeu a esnobar as críticas racistas para assim conseguir desempenhar bem o seu papel. “Não ligo para negatividade”, ela disse em entrevista à Variety.

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Fotos: Getty Images


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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