Debate

63% dos lares chefiados por mulheres negras está abaixo da linha da pobreza

por: Vitor Paiva

Por mais complexa e múltipla que seja a realidade brasileira, alguns traços lamentavelmente fixos apontam com clareza como nossa sociedade funciona – através de dados objetivos e estatísticos. É isso que confirma a última Síntese dos Indicadores Sociais do país. Realizada pelo IBGE, a pesquisa é uma “Análise das Condições de Vida da População Brasileira”, mas ela também acaba falando sobre racismo e, indiretamente, sobre a própria história do país. É impossível, afinal, não pensar em nosso passado quando a pesquisa revela que 63% das casas chefiadas por mulheres negras no Brasil vivem abaixo da linha da pobreza.

A linha da pobreza, segundo o IBGE, se coloca sobre as famílias que vivem com cerca de R$ 420,00 por mês. Espanta saber que 25% de toda a população brasileira atualmente se encontra nessa região econômica e social, mas mais ainda quando a perspectiva se torna racial: enquanto 63% das famílias comandadas por mulheres negras sem cônjuge e com filhos de até 14 anos vivem com esse montante mensal, o mesmo recorte cai para 39,6% abaixo da linha da pobreza para famílias sob o comando de mulheres brancas. Ambos os números são assustadoramente altos, mas a diferença é gritante.

As mulheres negras são historicamente o grupo social mais prejudicado no Brasil, e essa perspectiva se intensifica também entre as famílias que vivem, segundo o IBGE, abaixo da linha da miséria – com renda menor que 1,9 dólar ao dia: 23,7% entre as famílias de mulheres negras, contra 13,9% para as mulheres brancas. Segundo a pesquisa, no Brasil vivem 7,8 milhões de pessoas em casas chefiadas por mulheres negras, e 3,6 milhões em casas de mulheres brancas. O recorte com menor porcentagem abaixo da linha da pobreza, com somente 9%, é o de casais sem filhos.

 

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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