Diversidade

Ação contra o machismo no futebol tem apenas mulheres em coletiva. Homens assistem na TV

por: Karol Gomes

Para o lançamento da campanha #ElasnoEstádio, a Federação Paulista de Futebol (FPF) promoveu o que chamou de “entrevista seletiva”. Somente mulheres participaram da coletiva de imprensa sobre o programa que se propõe a incentivar a presença de mulheres nas arquibancadas

Os profissionais do sexo masculino assistiram as falas das porta-vozes – Aline Pellegrino, diretora de futebol feminino da FPF, e Laura Louzada, coordenadora de marketing do Botafogo-SP e representante dos clubes – por uma televisão do lado de fora. De acordo com a FPF, a ideia foi reproduzir entre os homens a situação de restrição social por não ter abertura nem incentivo para frequentar os estádios. 

– Seleção alemã não vai mais jogar em países que discriminam mulheres; Brasil tem amistoso na Arábia Saudita

“Os homens ficaram do lado de fora hoje, e isso é o que acontece com as mulheres nos dias dos jogos. Futebol reflete o que é a sociedade”, declarou Aline ao Globoesporte.com.

Segundo pesquisa do Datafolha, apenas 14% do público que frequenta os estádios no Campeonato Paulista é formado por mulheres. O percentual levou a FPF e os 16 clubes da elite estadual paulista a se unirem para formar o movimento que se propõe a elevar o número.

– Nasa garante que uma mulher será o primeiro ser humano a pisar em Marte

A adaptação das mulheres em um ambiente masculino como um estádio de futebol não é tão simples. Uma das primeiras iniciativas do #ElasnoEstádio será oferecer atendimento especial às mulheres nos estádios, com possibilidade de relatar assédios, ofensas e violência. A FPF promete ainda abrir um canal de comunicação exclusivo pelo e-mail [email protected] e incentivar coletivos e grupos a irem aos jogos juntos.

Publicidade

Foto: Daniela Ramiro/FPF


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.


X
Próxima notícia Hypeness:
‘Pretos que voam’: comissária quer bolsas para enegrecer aviação civil