Debate

Atlético-MG escala jogadoras profissionais como gandulas em jogo do masculino

por: Karol Gomes

Atletas profissionais do time feminino do Atlético-MG foram contratadas para trabalhar no último domingo (26), mas elas não entraram em campo – pelo contrário, aturam como gandulas no jogo entre Atlético-MG e Tupynambás, que terminou em goleada de 5 a 0 para o mandante. 

Um post do jornalista Henrique André, do Jornal Hoje Em Dia, revelou que as jogadoras estavam lá para serem gandulas, repondo as bolas do jogo do time masculino. Um cenário que só poderia ser real em um mundo machista como ainda é o do futebol brasileiro. 

Comentários online questionaram, com razão, a atitude do clube: alguns perguntaram se o Atlético-MG faria o mesmo se fosse o contrário – colocando jogadores do time principal para serem gandulas em partidas da equipe feminina – e outros disseram que era um absurdo um clube colocar suas atletas para fazerem isso.

Em entrevista para o blog Dibradoras, do UOL, a diretora do futebol feminino do Galo, Nina Abreu, disse que o convite foi feito às jogadoras pela diretoria do Atlético-MG, que costuma fazer o mesmo com a equipe sub-20 masculina.

– Chuteira sem logo e com símbolo de igualdade de gênero foi mais um golaço de Marta

– Ação contra o machismo no futebol tem apenas mulheres em coletiva. Homens assistem na TV

A ideia é seguir com a iniciativa e revezar as atletas do feminino ao longo do ano, ganhando R$90 por jogo – caso elas estejam de acordo com isso e, claro, desde que não atrapalhe o calendário de jogos delas. 

Nina explicou ainda que a condição de trabalho não é adequada, mas necessária diante do cenário das jogadoras: “É claro que se elas tivessem um salário ideal no Brasil, elas não precisariam desse plus. Mas essa não é a realidade delas. Convidamos seis atletas, porque o sub-20 ainda não tinha voltado. E daqui pra frente o clube quer dividir isso, sendo sempre três atletas do feminino e três do sub-20”.

– Seleção alemã não vai mais jogar em países que discriminam mulheres; Brasil tem amistoso na Arábia Saudita

Claro que o Brasil tem grandes estrelas do futebol feminino por quem se orgulhar – inclusive o time do Atlético-MG, mas acaba sendo desanimador observar tal retrocesso, de jogadoras profissionais atuando como gandulas de um jogo do futebol masculino, servindo aos atletas considerados ‘de elite‘, enquanto poderiam estar treinando para suas próprias ligas. 

Publicidade

Fotos: Reprodução/Twitter


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Espanha aprova renda mínima de até R$ 6 mil para famílias de vulneráveis