Arte

Barulho: fotos mostram a radical e experimental cena No Wave, na NY dos anos 70 e 80

por: Vitor Paiva

Um dos mais singulares e interessantes momentos e movimentos da cultura estadunidense do final do século passado, a cena No Wave envolvia performance, vídeo, artes plásticas e principalmente música, entre o fim dos anos 1970 e o meio dos anos 1980 em Nova York, para se distanciar de qualquer arte tradicional e popular então, na direção do experimental e do barulho – tanto o literal quanto o musical. Saídos do punk, onteressados pelo noise e pela música atonal, os grupos ligados ao No Wave criaram algumas das instigantes e originais estéticas musicais já feitas.

DNA

O nome se deu como um trocadilho em negativa com o New Wave que imperava na época, após o movimento punk, misturando rock, pop e eletrônico. Não espere, portanto, meras canções para se assoviar ligadas ao No Wave – mas sim uma música experimental, radical, que procura justamente se distanciar do establishment comercial da época sem aderir a restrições estéticas: utilizando elementos do jazz, do punk, do rock e da música de vanguarda, as bandas No Wave não soavam como nada do que havia à época. Foi dessa cena que pôde surgir uma banda como, por exemplo, o Sonic Youth.

Teenage Jesus & The Jerks

Curiosamente esse é hoje um movimento especialmente influente na atual cena de música experimental brasileira – carioca, em especial. Artistas como as bandas DNA (de Arto Lindsay, grande produtor e guitarrista, que vive no Rio de Janeiro e trabalhou com artistas como Caetano Veloso, Marisa Monte e Arnaldo Antunes), Teenage Jesus and the Jerks, Red Transistor, Lounge Lizards, Mars, Theorethical Girls e artistas como Lydia Lunch, Glenn Branca, entre outros, nos ajudam a lembrar que a música sempre pode ir mais longe e ser menos óbvia do que pensamos.

Glenn Branca

O site New York No Wave Archive conta parte dessa história em arquivos, e recomenda-se também a coletânea No New York e  o filme Downtown 81, estrelado pelo pintor Jean-Michel Basquiat, que retrata in loco a cena da época.

Acima e abaixo: The Lounge Lizards

Acima: Teenage Jesus & The Jerks; abaixo, Lydia Lunch

Abaixo: DNA

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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