Inspiração

Brumadinho: Bombeiros ainda buscam vítimas em maior operação do país

por: Yuri Ferreira

Depois do óleo do Nordeste e das queimadas na Amazônia, parece que a gente até esqueceu que, há um ano atrás, uma das maiores tragédias da história ambiental brasileira aconteceu. O rompimento da barragem B1 do Córrego do Feijão, em Brumadinho, destruiu centenas de vidas, famílias, animais e toda uma história que hoje só pode ser lembrada com muito pesar.

E das 270 pessoas vítimas do acidente que desapareceram após o desastre, somente 259 foram encontradas no meio dos rejeitos, faltando 11 vítimas perdidas no meio da lama. O Corpo de Bombeiros do estado de Minas Gerais mantém as buscas. Milhares de militares estão há quase um ano revirando os rejeitos da barragem em busca dos restos mortais das pessoas que não foram encontradas, mas que merecem dar um adeus às suas famílias.

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Bombeiros trabalham de maneira incansável em Brumadinho em busca das vítimas de um dos maiores desastres ambientais da história do nosso país. (foto de janeiro de 2019)

Segundo o Corpo de Bombeiros, as investigações só irão ser concluídas quando todos os corpos forem encontrados ou quando o estado de decomposição tiver definitivamente acabado com os restos mortais. Hoje, a corporação afirma ter apurado cerca de 96% de todo o material ejetado pela barragem, mas ainda há muita esperança de que as vítimas sejam encontradas.

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 “Mesmo depois de remover e vasculhar os rejeitos, fazemos várias dobras (busca num mesmo material), até quatro vezes, para termos certeza de que não há segmentos de vítimas que podem ser enviados para serem identificados”, contou Alysson Malta, tenente-coronel, ao Estado De Minas. Ele é o comandante de operação da corporação no sítio.

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“Fizemos várias investigações sobre o comportamento dos desaparecidos. Para se ter uma ideia, temos filmagens de antes do rompimento para saber a rotina das pessoas. Quantas vezes saía para fumar, onde estava, onde operava, que veículo utilizava. Um trabalho árduo da inteligência para as equipes em campo trabalharem com ações cirúrgicas nesta que é a maior operação de busca e salvamento do Brasil”, concluiu ao Estado de Minas.

Além dos 270 mortos pelo rompimento da barreira da mineradora Vale, o dano à vida animal e botânica na região é incalculável, afirmam especialistas.

As investigações e buscas são importantíssimas para as famílias das vítimas, que depende diretamente dessas equipes para poder dar um digno adeus aos seus entes queridos. No próximo dia 25, o acidente completará um ano. A Vale ainda não cumpriu suas responsabilidades pelos crimes, devendo obras sociais na região e correndo risco de tomar novos processos do governo mineiro.

“O que me motiva? É dar uma resposta a essas famílias. Eu perdi um filho meu há 9 meses. Eu tive a oportunidade de me despedir do meu filho. Eu acho que essas pessoas precisam fazer essa passagem. Enquanto isso não acontecer com as 11 famílias, nós não vamos parar”, afirmou a cabo Tailane Aparecida Teixeira ao G1. Ela faz parte da equipe que conta com mais de 3 mil bombeiros para encontrar as últimas vítimas de uma das maiores tragédias ambientais da história do nosso país.

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Fotos:  © Getty Images


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.

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