Inspiração

Demitidos pelo Flamengo, sobreviventes de incêndio no Ninho podem treinar no Vasco

por: Yuri Ferreira

A tragédia que aconteceu no Ninho do Urubu, centro de treinamento e alojamento para jovens das categorias de base do Flamengo, ainda tem desdobramentos até hoje. Após o título do Campeonato Brasileiro de 2019 e a Taça Libertadores, o clube rubro-negro ainda lida com o caso, que levou a vida 10 de jovens atletas.

Na última semana, a diretoria flamenguista surpreendeu com uma atitude no mínimo espantosa: o clube dispensou 5 jovens que sobreviveram ao acidente. Familiares e jogadores ficaram confusos com a dispensa. O Vasco da Gama, um dos maiores rivais do Flamengo, já ofereceu contratos aos atletas, que ficaram sem clube em um momento delicado da carreira.

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O meia Felipe Cardoso foi dispensado pelo Flamengo mesmo após ter sobrevivido à tragédia do Ninho

Os jogadores dispensados pela diretoria rubro-negra foram Felipe Cardoso, meia de 16 anos. Wendel Alves, atacante de 15 anos. João Victor Gasparin, lateral-direito de 15 anos, Naydjel Calleb, zagueiro de 15 anos, Caike Duarte Pereira da Silva, meio-campista de 14 anos.

“Desde que o Vasco entrou em contato, estamos pensando. Ficamos muito abalados com a tragédia e as mortes dos meninos. Graças a Deus o meu filho não se machucou e ficou bem. Além disso, fomos pegos de surpresa pela decisão do Flamengo. Não entendemos. Vamos conversar e ver ainda o que fazer. Tem muita coisa para ser pensada”, conta Clara Boroski, mãe do zagueiro Naydjel Calleb, ao GloboEsporte.

O Vasco da Gama agiu com celeridade em busca dos atletas dispensados, entendendo que a aceitação deles no clube não é somente uma questão desportiva, mas também um dever social.

“Eles terem saído do Flamengo não é demérito. É um clube de alto rendimento e os jovens podem oscilar. Mas a pressa que a gente teve de colocar o Vasco à disposição teve um caráter social. O Vasco tem essa parte social muito sensível sempre. Faz parte da essência e da história do clube. Não tem como fugir disso”, afirmou ao GloboEsporte.com Witor Bastos, coordenador de captação do cruzmaltino.

O futuro dos garotos ainda não está definido, que têm propostas de outros clubes e avaliam a proposta do Gigante da Colina.

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O Flamengo contra a Justiça

O Flamengo é o clube que mais obteve receita no ano de 2019. Além da maior cota de televisão do país, o clube da Gávea contou com premiações grandiosas pelo seus títulos, além do comércio de joias da base por grandes valores.

As vendas de Vinicius Jr. (2017), Paquetá (2018) e Reinier (2020) renderam a soma de 110 milhões de euros ou quase meio bilhão de reais para o caixa flamenguista nos últimos três anos. O time mais rico do país, porém, se mantém rígido com o Ministério Público e com a Justiça e não aceita o valor exigido pelas famílias de 6 jovens que não aceitaram o acordo com o clube.

O jornalista e comentarista esportivo Mauro Cezar Pereira, conhecido por sua relação com o clube rubro-negro, defendeu que as famílias que perderam seus filhos fossem mais razoáveis na negociação com a direção do Flamengo.

Hoje o Flamengo paga o valor de 5 mil reais para cada família que perdeu os atletas no acidente dentro da propriedade e responsabilidade do clube. A Justiça determinou o pagamento de 10 mil reais, além do bloqueio de 100 milhões em penhora de bens e bloqueio de crédito do rubro-negro. O Flamengo afirmou que iria recorrer da decisão, em dezembro.

Após a dispensa do clube, o meia Felipe Cardoso desabafou nas redes sociais: “Após refletir muito, cheguei à conclusão de que somos apenas números para muitos. Ninguém enxerga que somos jovens/adolescentes buscando uma vida melhor para nossas famílias, dia a dia longe de casa, cada um com seus problemas e dificuldades pensando se nossos irmãos têm o que comer, se nossas mães estão bem, se nossos pais continuam firmes e fortes no trabalho em busca do sustento da casa, se nossos amigos sentem nossa falta e se torcem por nós”.

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Fotos: Reprodução/Instagram


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.

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