Entrevista Hypeness

Diretor de ‘Boy Erased’, que teve estreia nos cinemas cancelada, Joel Edgerton defende streaming

por: Janaina Pereira

O australiano  Joel Edgerton é o tipo de artista multifacetado. Ator, roteirista, produtor e diretor, já se destacou em produções como Operação Red Sparrow, ao lado de Jennifer Lawrance, e Aliança do Crime, onde roubou a cena contracenando com Johnny Depp.  Atualmente o ator está em cartaz com O Rei, de David Michôd, produção da Netflix em que Edgerton também assina o roteiro. Durante a divulgação do filme, no Festival de Veneza, ele conversou com o Hypeness, e falou sobre sua carreira.

Joel Edgerton relembrou o lançamento de seu último filme como diretor, Boy Erased: Uma Verdade Anulada. A produção conta a história de um rapaz homossexual que vive em uma cidade pequena do Arkansas e é obrigado a participar de uma terapia de conversão gay. O longa teve uma boa repercussão nos festivais de cinema e foi cogitado ao Oscar do ano passado, mas arrecadou apenas US$ 11,8 milhões de bilheteria, tendo seu lançamento cancelado em vários países, inclusive no Brasil.

Para Edgerton, em entrevista ao Hypeness, o filme teria alcançado um público maior se tivesse sido lançado por uma empresa de streaming.

“Tivemos um debate realmente interessante sobre qual caminho seguir. A Focus tinha esse histórico incrível com filmes LGBTQ, como Brokeback Mountain e Milk, então eu senti que estávamos nas mãos certas. Queríamos criar um cenário cara a cara, em que teríamos tempo para enfrentar o público, fazer perguntas, gerar discussões. Para mim, parecia que era o caminho certo. Mas minha experiência com a Netflix durante a produção de O Rei me fez pensar que, se Boy Erased tivesse sido lançado diretamente em streaming, qualquer pessoa poderia ter assistido ao filme, em qualquer lugar do mundo”.

O fato de Boy Erased ter tido grande repercussão, mas sem alcançar uma plateia considerável, frustrou Joel Edgerton que,além de dirigir, também atuou e produziu o filme. “Hoje vejo claramente que perdemos oportunidades. Quando um  filme é lançado apenas no cinema, alguns grupos sociais não têm acesso à história por falta de dinheiro para comprar um ingresso, por exemplo”.

Edgerton defende as empresas de streaming como veículos importantes para lançar filmes que os grandes estúdios não podem ou não querem investir.

“Acho que alcançar pessoas no mundo inteiro é uma razão boa o suficiente para colocar um filme o mais rápido possível na Netflix. Especialmente um filme como Boy Erased. O orgulho que todos sentimos com essa produção… porque é um filme que pode ajudar a iniciar conversas entre as famílias. Sabemos que isso muda pontos de vista”.

A parceria com a Netflix em O Rei fez Joel Edgerton repensar seus próximos projetos. Ele vai estrelar a série da Amazon The Underground Railroad, de Barry Jenkins (diretor do premiado Moonlight: Sob a Luz do Luar, Oscar de melhor filme em 2017), baseada no livro homônimo do romancista Colson Whitehead, que acompanha a história de Cora, uma jovem escravizada em uma plantação de algodão na Georgia. Já com a Netflix ele está escalado para Bright 2, ao lado de Will Smith. Segundo Edgerton, o streaming está trazendo um novo momento para a sétima arte.

“Estamos numa era onde você pode simplesmente zapear pela TV, decidindo o que assistir pelo controle remoto. Então isso faz a diferença quando lançamos um filme ou série no streaming, porque com certeza alguém vai assisti-lo”, conclui.

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Foto: Reprodução


Janaina Pereira
Jornalista e publicitária. Especializada em cultura - principalmente cinema - e gastronomia. Desde 2009 cobre os principais festivais da sétima arte, como Veneza, Cannes, San Sebastian, Berlim, Rio e Mostra Internacional de São Paulo. Participou dos livros "Negritude, Cinema e Educação" (escrevendo sobre o filme "Preciosa", de Lee Daniels) e "Guia de Restaurantes Italianos" (escrevendo sobre 45 restaurantes ítalo-brasileiros de São Paulo).

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