Arte

Filósofo e músico, Tiganá Santana é o primeiro brasileiro a compor em línguas africanas

por: Vitor Paiva

Os planos da mãe de Tiganá Santana para seu filho eram ambiciosos: que ele quebrasse a “hegemonia eurocentrada” do Itamaraty e se tornasse diplomata. O encontro com a filosofia, a música e sua própria ancestralidade negra, no entanto, transformou seu trajeto – sem intimidar, no entanto, as mais incríveis ambições. 

Aos 36 anos, o cantor, compositor, filósofo e pesquisador viaja o mundo, a partir de Salvador, Brasília e São Paulo, para promover sua música e prosseguir com suas pesquisas – Tiganá é o primeiro compositor brasileiro conhecido por gravar canções em línguas tradicionais africanas.

Poliglota, o compositor compõe em português, inglês, espanhol e francês, assim como em kikongo e kimbundu, línguas de Angola e do Baixo Congo. Formado em filosofia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Tiganá atualmente é doutorando do Programa de Pós-graduação em Estudos de Tradução da Universidade de São Paulo (USP), com pesquisa em sentenças proverbiais bantu-kongo a partir da obra do pensador congolês Bunseki Fu-Kiau. Foi a partir de seus estudos mas também de sua experiência enquanto indivíduo que nasceu o álbum Maçalê, de 2009, primeiro disco brasileiro com composições autorais em línguas africanas.

De lá pra cá, Tiganá lançou o disco The Invention of colour, de 2013 – que recebeu 5 estrelas e foi considerado um dos 10 melhores discos do mundo de 2013 pela revista inglesa Songlines – o disco duplo Tempo & Magma, de 2015, gravado no Senegal a partir de uma residência promovida Unesco, e Vida-Código, de 2019.

“Podemos aprender um mundo com as diversas filosofias africanas. Estão baseados em um pensar que inclui uma prática e um comportamento.

Em muitos desses pensares, há um senso de comunidade que é absolutamente fundamental”, afirma. “Para eles, é impossível existir se não for em comunidade. Pensar desse modo já nos coloca em um outro lugar, sobretudo, ao dialogar as questões de sociedade”, diz Tiganá.

 

‘Maçalê’:

‘The Invention of colour’

PS: (considerado um dos melhores do mundo)

Publicidade

© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Artista pinta mulheres negras com cabelo de verdade e forma quadros super criativos