Ciência

Fósseis mostram que Homo erectus teve sua última morada na Indonésia, há cerca de 100 mil anos

por: Vitor Paiva

O Homo Erectus foi um hominídeo que viveu há cerca de 1,5 milhão de anos principalmente na África. Sua última casa, no entanto, foi na região de Java, na Indonésia, em um período histórico muito mais próximo do que se poderia imaginar: há cerca de pouco mais de 100 mil anos o Homo Erectus, ancestral de todos os hominídeos posteriores, ainda vivia na região, enquanto o Homo Sapiens já havia evoluído na África e os Neanderthais estavam evoluindo na Europa.

Fósseis encontrados na Indonésia

A conclusão se deu através do estudo de fósseis encontrados em Ngandong, na região de Java, como as mais “jovens” ossadas do Homo Erectus já registradas – entre 108 e 117 mil anos. Os ossos foram encontrados no início dos anos 1930 às margens do Rio Solo, mas só recentemente a tecnologia permitiu uma investigação mais profunda, capaz de determinar com precisão a idade dos fósseis – através também do estudo geológico da região.

“Nunca podemos ter certeza de que encontramos o primeiro ou o último representante de qualquer espécie”, afirmou a pesquisadora Aida Gómez-Robles. “[Mas] uma data da última aparição de aproximadamente 100 mil anos atrás para H. erectus parece razoável.” 

Escavações no local, em 2010, para determinar a idade das ossadas

Segundo a pesquisa, é provável que os Homo Erectus encontrados tenham morrido no rio e sido carregados pelas águas – sendo, por fim, soterrados na lama e no solo da margem, onde permaneceram até os anos 1930. No mesmo período, portanto, em que o Homo Erectus – primeira espécie a adquirir as proporções do corpo humano e a mais próxima do Homo Sapiens a deixar a África e se espalhar pelo mundo – ainda vivia no sudeste asiático, o Hominídeo de Denisova, espécie descoberta na Sibéria, também vivia. Boa parte das ossadas se perdeu, mas o fóssil dos crânios foi mais do que suficiente para a realização do estudo – que foi publicado na revista Nature.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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