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Gráfico mostra como perícia identificou água com resíduos tóxicos em cerveja mineira

por: Yuri Ferreira

A tragédia da cerveja Belorizontina já atingiu dezenas de pessoas no estado de Minas Gerais e 3 pessoas faleceram em decorrência da contaminação de um lote de cerveja contaminada pelo monoetilenoglicol e dietilenoglicol, substâncias que causam síndrome nefroneural, grave doença que ataca os rins e o cérebro do contaminado.

As investigações da Polícia Civil mineira buscam entender como a contaminação aconteceu e quem  são os responsáveis pelo crime. As hipóteses são sabotagem, uso indevido da substância ou vazamento da substância. Mas uma reportagem do Estado de Minas, um dos principais dos jornais de Belo Horizonte, indicou como pode ter acontecido o acidente.

Contaminação por dietilenoglicol causou três mortes até então e diversas pessoas estão hospitalizadas até então

Ambas as substâncias, o monoetilenoglicol e o dietilenoglicol são permitidos em serpentinas que correm por fora de tanques de armazenamento para resfriar a bebida. Eles nunca deveriam entrar em contato com o produto diretamente. As investigações mostram que, no entanto, foi isso que aconteceu na produção da Backer, responsável pela produção da marca.

O mosto, produto base para o fermentado da cerveja, precisa ser resfriado durante o processo de produção. A perícia encontrou a substância justamente no tanque de resfriamento, o que pode indicar um vazamento inadequado da substância. As substâncias também foram encontradas no tanque de água reutilizada da cerveja, além de um lote da cerveja Capixaba, distribuído no estado do Espírito Santo.

O dietilenoglicol foi encontrado nos tanques da cervejaria Backer

“A gente conseguiu evidenciar que a água que tem contaminação com glicol está sendo utilizada no processo cervejeiro. A gente não consegue ainda afirmar efetivamente de que forma ocorre essa contaminação desse tanque de água gelada, se é no tanque de água gelada ou se é em uma etapa anterior a esse tanque, nenhuma hipótese pode ser descartada nesse momento”, afirmou um representante do Ministério da Agricultura em entrevista coletiva.

A primeira morte por causa da contaminação no lote da cerveja aconteceu no dia 8 de janeiro, em Juiz de Fora. Foi um senhor de 58 anos. Logo após, um jovem de Ubá, de 19 anos faleceu e um senhor de 89 anos também faleceu em decorrência da síndrome nefroneural. Ontem, o número de pacientes confirmados pela contaminação subiu para 18.

Ao redor do mundo, o dietilenoglicol já causou centenas de mortes. Em 2008, na Nigéria, o remédio My Pikin Baby causou a morte de centenas de bebês graças à contaminação pela substância. O problema é raro, mas muito danosa para o corpo humano. A diretora de marketing da Backer, produtora da cerveja, alegou que nenhuma pessoa deve consumir nenhum lote da Belorizontina, marca cujos lotes causaram as mortes.

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Fotos: Reprodução/Redes Sociais Ilustração: © Getty Images


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.

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