Debate

Grife se desculpa por fotografar modelos brancos com cabelo trançado

por: Karol Gomes


Após ser acusada de racismo e apropriação cultural nas redes sociais, a grife COMME des GARÇONS se desculpou por caracterizar modelos brancos com próteses de “cornrows” – ou tranças nagô – para o desfile masculino “Homme Plus Show”. 

A primeira página a se manifestar foi justamente a mais temida entre os estilistas: a Diet Prada, que escreveu: “a marca japonesa parecia ter recuado com o show masculino, desta vez colocando modelos brancos em perucas com tranças. A decisão da marca pareceu suspeita, pois vivemos em uma época em que as discussões sobre apropriação cultural estão em alta”.

View this post on Instagram

Back in 2018, @commedesgarcons cast their first black models in over 20 years for their FW18 show, following critical comments from netizens who noticed they hadn’t featured a black model since 1994. Last night, the avant-garde Japanese label seemed to have taken a step back with their men’s show, this time putting white models in cornrow wigs. Some black models also sported the wigs, while some wore their own hair. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Vogue Runway called them “odd”, which is a curious statement in itself, considering the stigma and discrimination of natural hair and hairstyles that embrace cultural identity (braids, Bantu knots, twists and locs). It was only in 2015 that Fashion Police host Giuliana Rancic said that Zendaya’s dreadlocks at the Oscars made her look like she “smells like patchouli oil or weed”. Suffice it to say, CDG’s decision to appropriate the braided hairstyles for white models is indeed problematic. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ On the positive side, more states are legislating to ban race-based hair discrimination, following New York and California’s decision in 2019. Dieters, what do you think about the wigs at Comme des Garçons? The look on the model’s faces say it all, don’t you think? • #commedesgarcons #culturalappropriation #pfw #pfwm #pfw20 #cornrows #wig #wigs #caucasity #commepocracy #reikawakubo #adrianjoffe #discrimination #hair #naturalhairstyles #locs #locstyles #blackhair #blackhairstyles #naturallycurly #protectivestyles #goodhair #model #malemodel #avantgarde #cdgconverse #cdgplay #cdg #vogue #dietprada

A post shared by Diet Prada ™ (@diet_prada) on


Resumindo: faltou bom senso, né? 

Em seu comunicado para a revista Dazed, a grife declarou: “A inspiração para os headpieces do desfile de moda masculina da Comme des Garçons FW’20 foi a aparência de um príncipe egípcio. Nunca foi nossa intenção desrespeitar ou ferir alguém – pedimos desculpas profundas e sinceras por qualquer ofensa que ele tenha causado”. 

O cabeleireiro responsável pelas perucas, Julien D, também foi ao Instagram pedir desculpas: “Queridos, minha inspiração para o show de Comme des Garçons foi um príncipe egípcio. Um look que achei verdadeiramente bonito e inspirador. Um olhar que foi uma homenagem. Nunca foi minha intenção magoar ou ofender alguém, jamais. Se eu fiz, peço desculpas profundamente”. 

A grife se desculpou por mostrar modelos brancos trançados

Bom, já que a ideia era “homenagear” o Egito antigo, poderiam ter sido usados somente modelos negros, já que, embora a cultura pop faça parecer o contrário, nasceu como uma população negra, assim como seus faraós e soberanos. 

Apropriação cultural: é o ato de usar adereços de outras culturas – como turbante, dreadlocks, cocar, desenhos tradicionais – com o único propósito de capitalizar ou para uso estético, o que apaga a simbologia original que tal adereço representa. Muitos desses símbolos pertencem a culturas marginalizadas pela sociedade e são vistos com preconceito por aqueles que a usam, mas ganham um valor estético quando são usados por brancos. Não é proibido utilizar turbantes ou fazer tranças sendo branco. Mas é desrespeitoso, principalmente no mundo da moda.

Publicidade

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Campanha Carnaval Sem Assédio terá ações em cinco cidades brasileiras