Fotografia

Imagens mostram beleza e história do maior santuário de umbanda do Brasil

por: Vitor Paiva

Foi para fugir do preconceito e encontrar liberdade religiosa em um espaço de 600 mil metros quadrados que Ronaldo Antônio Linares, babalaô hoje com 83 anos, migrou para São Bernardo do Campo, em São Paulo, para fundar o Santuário Nacional da Umbanda – Vale dos Orixás. Foi essa incrível história que a Vice contou em reportagem, em um cenário verde repleto de estátuas de orixás e de histórias – no local que hoje é ponto de referência e peregrinação para os praticantes e admiradores da Umbanda e das religiões de origem africana no Brasil – 141 mil pessoas, segundo o IBGE, hoje.

O babalaô Ronaldo Antônio Linares

Para conseguir a autorização para a construção do local, no final dos anos 1960, o grupo teve de se comprometer a recuperar a mata do local, então devastada por décadas de exploração por uma pedreira. Atualmente, além de um santuário religioso, o Vale dos Orixás é também um santuário ecológico, com laboratórios botânicos, minhocários, viveiros para criação de mudas e até mesmo uma escola de ecologia – o sacrifício de animais é proibido por lá.

O local também conta com uma lanchonete, banheiros, tendas e outros espaços para receber os visitantes, que costumam frequentar o santuário nos finais de semana.

Em um país que atualmente cada vez mais persegue os locais de culto das religiões de matriz africana, o Santuário Nacional da Umbanda – Vale dos Orixás é também, portanto, um local de paz e democracia – onde todos podem seguir suas religiões sem medo, como é previsto em nossa combalida constituição.

E também um local de preservação da cultura brasileira, profundamente ligada a tais religiões – que se fazem presente na arte e na história do país como forças fundamentais brasileiras. A umbanda e o candomblé sobreviveram às perseguições durante a escravidão e a ditadura, e portanto resistir é o estado natural para seus seguidores, que podem ser livres e fortes em sua crença, como deveriam poder em todo o país, ao menos no santuário.

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©Fotos: Jane Eyre Queiroz/Vice



Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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