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Mamie Lang: falecida aos 111 anos, ela testemunhou e lutou contra horrores do racismo nos EUA

por: Redação Hypeness

A própria história familiar de Mamie Lang Kirkland já seria o suficiente para torná-la uma personagem impressionante e inspiradora: mãe de 9, matriarca de uma família de 158 pessoas, falecida no mês passado aos 111 anos ela era a mais velha moradora da cidade de Bufallo, no estado de Nova York.

Mas a terrível trajetória dos negros nos EUA e em todo o mundo, infelizmente, atravessou também a vida de Mamie, e a transformou em uma sobrevivente e um símbolo da luta pelos direitos civis e contra o racismo no país. Assim, sua vida conta também a história do século XX nas Américas e nos EUA, marcada pelo preconceito, a descriminação, o apartheid racial que dividiu os EUA até os anos 1960, a Ku Klux Klan, as revoltas, conquistas e lágrimas derramadas por conta do horror.

Nascida em 03 de setembro de 1908 na região rural do Mississippi, Mamie Lang Kirkland viveu como vendedora de produtos da Avon, e a longa duração de sua vida a transformou em uma sobrevivente e um símbolo. Aos 7 anos ela e sua família precisaram fugir do sul dos EUA para evitar um linchamento anunciado. Alguns de seus amigos e familiares foram enforcados pela fúria racista que marcava o país de então, mas Mamie sobreviveu – e seguiria sobrevivendo. Aos 15 anos ela se casou e se mudou para Bufallo, onde viveria até seus 111 anos – quando ainda vendia produtos Avon.

Mamie e sua mãe nos anos 1920

Segundo sua filha mais jovem, hoje com 70 anos, foram suas vendas de porta em porta que a mantiveram jovem e viva, conectando-se com as pessoas e a comunidade.

“As pessoas não queriam nunca que ela fosse embora de suas casas”, diz a filha. “Ela ajudava as pessoas a encontrarem soluções para seus problemas”, conta.

Em 2016, a organização Equal Justice Initiative ofereceu uma homenagem a Mamie, em um jantar de gala para celebrar sua vida e luta. “Eu deixei o Mississippi como uma garotinha assustada de 7 anos de idade”, ela disse, em seu discurso. “Agora eu tenho 107, e não estou mais assustada”.

Mamie e seu marido, Albert, nos anos 1930

Sua história de vida inspirou a criação, em 2018, do Legacy Museum – museu em Montgomery, Alabama, cidade história da luta pelos direitos civis, que conta a história da escravidão e do racismo no país – e o National Memorial for Peace and Justice, um memorial também em Montgomery que documenta a sombria história do terrorismo racista e da luta por justiça social do movimento negro nos EUA.

Mamie Lang Kirkland viveu mais de um século para se tornar a encarnação de uma das mais importantes e emocionantes páginas da história dos EUA, em contraste à página mais terrível de todo o país – enfrentando os horrores do racismo, do Klan, dos assassinatos e de um estado racista, Mamie faleceu como uma inspiração universal. Quando concluiu seu discurso em 2016, ela não quis uma cadeira de rodas nem ajuda para descer do palco, e preferiu descer de pé, ensinando ao mundo a força e a elegância dos que lutam por toda a vida.

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© fotos: divulgação/acervo pessoal


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