Debate

Miss e empresária acusa banco de racismo ao ser detida tentando sacar o próprio dinheiro

por: Karol Gomes

A empresária Lorenna Vieira, 21, denunciou, nesta quinta-feira (30 de janeiro), um ato de racismo envolvendo o banco Itaú. “Preto e dinheiro são palavras rivais?”, disse ela que questionou a instituição no Twitter por ter sido impedida de sacar o próprio dinheiro. 

Ela contou na rede social que os funcionários do Itaú a enrolaram até o banco fechar, pois haviam acionado as autoridades, desconfiados de uma possível fraude, por terem estranhado a movimentação em sua conta. 

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Miss Beleza Negra, Lorenna tem uma marca de cosméticos, a Bad Gall, focada no consumo das mulheres negras, a Use Bad Gall. Ela também trabalha como influenciadora digital e trabalha ao lado do companheiro, o DJ Rennan da Penha.

Ela observou que, durante a visita da polícia, eles deixaram a entender que a conheciam, fazendo referências a seu namorado, pelo tempo que ele passou em Bangu 9 pela condenação em segunda instância – e sem provas – por associação ao tráfico de drogas: “Ficaram fazendo perguntas tipo ‘você é o que do Rennan, você já visitou [na cadeia]’. Tipo assim, então me conhece, né?”

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Mesmo assim, os bancários não abriram mão da presença da polícia, assim como Lorenna não abriu mão de seu direito de denunciar por crime de racismo – ela disse que saiu da agência do Itaú direto para a 22ª delegacia de polícia, no mesmo bairro da zona norte carioca, onde mora. A empresária afirma ainda que os três policiais que a escoltaram, todos eles brancos, agiram com “o maior deboche, maior desrespeito, maior preconceito”

Ela diz que vai encerrar sua conta no Itaú e “processar quem tiver que processar”, a instituição, a Polícia Civil ou ambos. 

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Rennan da Penha também comentou o caso no Instagram, observando que, no momento de sua prisão, também foi vítima dos estereótipos racistas da sociedade. “Meu bagulho é meu trabalho, não gosto nem de ficar criando polêmica, mas o que aconteceu hoje com minha mulher, no Itaú, não foi maneiro, não”. O funkeiro questionou ainda o que motivou a suspeita. “Fraude por quê? Ela trabalha, vende o xampu dela”

A Polícia Civil ainda não respondeu sobre o caso. Já o Itaú se pronunciou nas redes sociais e disse lamentar a situação. 

O banco entrou em contato com o Hypeness e disse que “lamenta profundamente os transtornos causados a Lorenna Vieira. O banco esclarece que a verificação de documentos é obrigatória nos casos em que o cliente não tenha em mãos o cartão do banco ou não faça uso de biometria para realizar saques”.

A nota segue:

“O objetivo do procedimento é garantir a segurança dos próprios clientes, e não tem qualquer relação com questões de raça ou gênero. Infelizmente, pessoas tentam aplicar diariamente golpes usando documentos falsos em agências do banco. Em razão desse procedimento, o Itaú Unibanco conseguiu evitar inúmeras fraudes dessa natureza contra seus clientes. O banco reitera o pedido de desculpas a Lorenna pelo incômodo que a abordagem causou a ela e segue à disposição para mais esclarecimentos”.

A reação nas redes foi forte ao condenar o racismo que não dá trégua: 

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Fotos: Reprodução/Instagram


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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