Arte

Morto aos 82 anos, Shozo Uehara mudou sua infância ao criar Ultraman

por: Gabriela Glette

No dia 2 de janeiro, a cultura pop japonesa perdeu um grande ícone. Trata-se de Shozo Uehara, roteirista de ‘Ultraman’, ‘Jaspion’ e da versão japonesa do ‘Homem-Aranha’.

O trabalho de Uehara inspirou e deu origem à diversas séries, entre elas, a icônica ‘Power Rangers’, que no oriente chamava-se ‘Super Sentai’. Tido como um gênio e respeitado como tal, ele morreu em decorrência de um câncer no fígado.

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Nascido em Naha – uma pequena ilha no sul do Japão, a história de Uehara é um misto de vitórias e desastres. Sua família conseguiu fugir da Segunda Guerra Mundial, se auto exilando em Taiwan, mas quando tentaram retornar à Naha, a cidade havia sido completamente destruída por ataques aéreos.

Ele e a família passaram duas semanas à deriva no mar, antes de conseguirem chegar a Kagoshima, na ilha de Kyushu, e só conseguiram retornar à sua terra natal em 1946.

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Depois de se formar na Universidade de Chuo, o artista se juntou à Tsuburaya Productions – em Tóquio. Sua grande estreia aconteceu no 21º episódio da série ‘Ultraman’, quando ele ainda trabalhava como escritor júnior do seriado. Em 1969, Uehara voltou para Naha e tornou-se escritor freelancer. A partir de então, ele começou a trabalhar na 4ª temporada da ‘Ultraman – The Return of Ultraman’, como escritor principal, formando as bases para o que seria a segunda geração do ‘Ultraman’.

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Já na década de 1970, ele trabalhou na criação da franquia ‘Super Sentai’ e liderou a equipe de roteiristas da série tokusatsu ‘Spider-Man’. Em 2017, este mestre lançou ‘Kijimuna Kids’, uma autobiografia sobre sua vida quando criança, crescendo em Okinawa, um estado completamente devastado pela guerra. Foi com esta obra de arte que ele ganhou o Prêmio de Alfabetização Joji Tsubota, em 2018. Se sua infância foi atravessada pela guerra, a arte foi sua salvação.

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Fotos: Reprodução


Gabriela Glette
Uma jornalista que ama poesia e mora na França, onde faz mestrado em comunicação. Apaixonada por viagens e inquieta por natureza, ela encontrou no nomadismo digital o segredo de sua felicidade, e transforma a saudade que sente da família e amigos em combustível para escrever suas histórias.

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