Inspiração

Mulheres lideram luta contra destruição de quilombo no Pará

27 • 01 • 2020 às 19:22
Atualizada em 29 • 01 • 2020 às 18:12
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Na região de Ananindeua, no Pará, a luta contra a invasão e avanço sobre o território da comunidade quilombola do Abacatal é uma luta feminina.

Como mostra o trabalho de reportagem do Brasil de Fato, são as mulheres do quilombo que lideram e compõem a maioria da associação que vem movendo processos contra empresas que vem tentando se apropriar do terreno – pela tentativa de construção de subestações de energia, lixões, rodovias e gasodutos – até mesmo na vigília de segurança, para impedir que a comunidade seja ainda mais ameaçada pelos pistoleiros, o desmatamento, a poluição e até o tráfico de drogas.

A luta feminina no Abacatal não é de hoje: ainda no século XVIII, o Conde português Coma de Melo, que não tinha filhos com sua esposa, teve três filhas inicialmente não reconhecidas com Olímpia, uma escrava – e a casa do Conde ficava no local onde hoje é a comunidade. Por décadas o território foi motivo de disputa, e somente em 1999 os 318 hectares onde vivem as 121 famílias que formam a comunidade quilombola do Acabatal tiveram sua situação regularizada. E cada decisão comunitária hoje é tomada pela Associação de Moradores e Produtores de Abacatal e Aurá (AMPQUA) que, de seus dez membros, nove são mulheres. É a associação que trabalha na justiça e pressionando as autoridades contra as ameaças ao quilombo.

A subestação de energia Equatorial

A luta pela existência e manutenção do território é também a luta contra o racismo e o desmonte atual das políticas públicas em defesa dos povos quilombolas, indígenas e ribeirinhos. Tratam-se de esforços hercúleos, contra a subestação da empresa de energia Equatorial, a Rodovia Liberdade, o Aterro Sanitário de Marituba, e um gasoduto – todos projetos que já afetam ou que virão a afetar a vida dos moradores de Abacatal. E é também a luta contra a poluição e pela natureza, onde vivem e da onde tiram a base de suas vidas essas mulheres guerreiras e quilombolas do Pará.

Publicidade

Fotos: foto 1: Reprodução/foto 2: Catarina Barbosa/Brasil de Fato/Reprodução/foto 3: Catarina Barbosa/Brasil de Fato/Reprodução


Canais Especiais Hypeness