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O neto de escravizada que virou engenheiro, lutou pelo fim da escravidão e hoje batiza avenida

por: Vitor Paiva

A história da tardia abolição da escravatura no Brasil não se restringe à assinatura da Lei Áurea que libertou os escravizados pela Princesa Isabel em 13 de Maio de 1888 – é também a história de diversos outros personagens que lutaram pelo fim dessa longa e tão sombria página do país. E entre os que ofereceram sangue e suor pela abolição, poucos foram tão ativos e importantes quanto o engenheiro André Rebouças.

Retrato de André Rebouças

Neto de uma escravizada alforriada, Rebouças nasceu em 1838, filho do advogado, deputado e conselheiro de Dom Pedro II, Antônio Pereira Rebouças. O sucesso como engenheiro se deu depois que André Rebouças resolveu o problema de abastecimento de água na cidade do Rio de Janeiro, então capital do império. Com isso, tornou-se parte de uma pequena surgente elite negra no Brasil, ao lado de grandes nomes como José do Patrocínio e dos escritores Machado de Assis e Cruz e Souza, e decidiu utilizar seu êxito profissional e sua popularidade enquanto um cidadão negro para lutar pelo fim da escravidão no Brasil.

Rebouças foi um dos criadores da Sociedade Brasileira Contra a Escravidão (junto de outros gigantes dessa luta como Joaquim Nabuco e José do Patrocínio), e participou da Confederação Abolicionista, além de redigir o estatuto da Associação Central Emancipadora. Uma mítica história passada no Baile da Ilha Fiscal, último baile do império, oferece a medida da importância de Rebouças: ao perceber que uma dama havia rejeitado o convite do engenheiro para dançar, o imperador Dom Pedro II em pessoa pediu à Princesa Isabel que dançasse com Rebouças. Seis dias após o baile aconteceria a proclamação da república, em 15 de novembro de 1889.

O jovem André Rebouças

Após o fim do Império, Rebouças iria exilado para Portugal, e depois migraria por motivos profissionais para Cannes, na França, para Luanda e por fim para Funchal, cidade portuguesa na Ilha da Madeira, onde viveria até sua morte aos 60 anos, em 9 de maio de 1898. Sua coragem, seu engajamento e sua dedicação pelo fim da escravidão no Brasil, assim como seu talento e importância como engenheiro e inventor, são até hoje celebrados em homenagens por todo o país: a Avenida Rebouças, em São Paulo, e o túnel Rebouças, no Rio de Janeiro, foram batizados em sua homenagem, assim como diversas outras ruas, edifícios, bairros e até mesmo cidades brasileiras.

André em Paris

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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