Debate

O sadismo do latifundiário tido como o maior torturador de escravizados do Brasil

por: Redação Hypeness

O mestre de campo Garcia d’Ávila Pereira de Aragão já foi um dos maiores latifundiários da Bahia e, provavelmente, do Brasil. Proprietário da Casa da Torre, na Praia do Forte, ele foi um sádico torturador de escravizados no século 18.

Sua história foi resgatada pelo procurador Rômulo de Andrade Moreira em texto escrito para o GGN, baseado nas pesquisas do antropólogo e historiador Luiz Mott. O relato se foca principalmente nos horrores detalhados pelo artigo  “Tortura de Escravos e Heresias na Casa da Torre”, publicado por Mott na obra “Bahia – Inquisição & Sociedade”, em que reúne diversos artigos publicados entre 1986 e 1995 sobre a inquisição no estado.

Segundo apurado pelo historiador, Garcia d’Ávila Pereira de Aragão teria sido o mais cruel escravagista de que se tem notícias na história do Brasil. Um de seus hábitos sádicos envolvia deitar as mulheres escravizadas  “com as saias levantadas, e ao mesmo tempo, botando ventosas com algodão e fogo nas suas partes pudendas, com a sua própria mão, dizendo para chuparem as umidades”.

Casa da Torre de Garcia d'Ávila

Casa da Torre de Garcia d’Ávila. Foto CC BY-SA 4.0 All lordêlo

Católico, o torturador tinha na Sexta-Feira da Paixão o seu dia preferido para os açoites e tinha prazer em ver os cães comerem e beberem o sangue deixado pelos castigos impostos aos escravizados. Nem mesmo crianças ou idosos estavam salvos do martírio imposto pelo sadismo de Garcia d’Ávila.

Há relatos de tortura de uma criança de apenas quatro anos, que foi deixada com a pele em carne viva após ser açoitada. Outra criança, de cerca de seis a oito anos, teria sido colocada com “a cabeça no chão e a bunda no ar”, enquanto o sádico mestre de campo pingava a cera de uma vela derretida no ânus do menino, rindo.

Os relatos dão conta ainda da história de uma menina de três ou quatro anos que teve seu rosto queimado pelas brasas de um fogareiro e, posteriormente, foi obrigada a comer um doce quente, colocado em sua mão recém saído do tacho.

Hipólito, um adolescente de 16 anos, foi pendurado por uma corda e teve seus testículos presos a outra corda, esta ligada a um pedaço de cerca de 7,5 kg de bronze durante duas horas. Ao mesmo tempo, um idoso de quase oitenta anos foi castigado tendo pimentas malaguetas introduzidas em seu ânus.

As histórias de barbárie se repetem e mostram a crueldade de Garcia d’Ávila. Infelizmente, não se trata de um relato isolado, mas sim de uma firme lembrança dos horrores da escravidão e suas consequências que são sentidas ainda hoje na sociedade brasileira, refletidas em acesso desigual à saúde, educação e ao mercado de trabalho.

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Foto em destaque: CC BY-SA 4.0 All lordêlo


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