Roteiro Hypeness

Participei do maior evento LGBT+ do mundo… e foi incrível | Viaja Bi! #12

por: Rafael Leick

Junho é o Mês do Orgulho LGBT+ em todo mundo. Isso não é novidade pra ninguém, até os héteros sabem que é quando começam a pipocar arco-íris nos avatares das redes sociais, mas você sabe por quê?

Em 1969, era crime ser gay em 49 dos 50 estados dos Estados Unidos. Bares gays eram proibidos, então os únicos que existiam eram controlados pela máfia. A polícia fazia constantes batidas nos bares para recolher sua propina e para exercer abuso de poder contra os LGBT+. Entre outras coisas, levava algumas pessoas ao banheiro pra conferir se a genitália conferia com o visual, se não conferisse, a coisa ficava feia.

Mas, no dia 28 de junho daquele ano, a comunidade LGBT+ de Nova York cansou desse abuso e se rebelou espontaneamente contra a polícia durante uma batida ao bar gay Stonewall Inn, no bairro Greenwich Village. Foram 5 dias de conflito onde a comunidade saiu vitoriosa.

Em frente ao bar gay Stonewall Inn - Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

Em frente ao bar gay Stonewall Inn – Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

Nascia ali o movimento pelos direitos LGBT+ e, no ano seguinte aconteceria em Nova York e outras cidades americanas a primeira Parada do Orgulho LGBT+ do mundo, ou somente “Gay Pride”. Dali em diante, as “paradas” se espalharam pelo mundo todo e, além das locais, começaram a surgir regionais, como a Europride, na Europa, ou a World Pride, que se propõe a ser um evento mundial a cada 2 anos.

E, em 2019, quando foram completados 50 anos das Rebeliões de Stonewall, a World Pride aconteceu pela 1ª vez em Nova York. 50 anos depois, onde tudo começou. Esse foi o evento LGBT+ mais importante do mundo nas últimas 5 décadas! Lembra dele? Falei dele aqui. E eu, representando o Viaja Bi!, estive lá.

 

Como foi a World Pride

World Pride New York City passando em frente ao Flatiron Building - Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

World Pride New York City passando em frente ao Flatiron Building – Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

“Maravilhosa” e “cansativa” seriam duas palavras que resumiriam minha experiência na World Pride.

Digo que foi maravilhosa porque eu “marchei” pelas ruas, na parada mesmo. Caminhei pelas ruas de Nova York em um momento muito simbólico e significativo pra comunidade LGBT+, numa cidade coberta de arco-íris, junto com o órgão de turismo da cidade e a IGLTA, principal organização de turismo LGBT+ do mundo. Foi uma realização e tanto.

Mas foi cansativa porque nossa saída atrasou 5 horas! Sério, não consegui entender até hoje o motivo do atraso, mas imagino que é porque a parada lá é imensa, são diversos grupos marchando e um atraso vai encavalando no outro. Só pode ser isso.

Mas o atraso não tirou o encanto de estar presente nesse evento incrível. Quem assistiu de fora, vendo a  galera desfilando, gostou bastante. Foi linda e teve uma cobertura mundial. Só fiquei triste que caminhei pouco tempo porque tinha marcado um outro passeio sensacional por lá.

Casal lésbico protesta durante a World Pride - Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

Casal lésbico protesta durante a World Pride – Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

Além da parada em si, a World Pride teve eventos durante todo o mês de junho e, especialmente na semana que antecedeu a marcha. A cerimônia oficial de abertura contou com a Whoopi Goldberg e Cindy Lauper. Os shows durante a semana tiveram nomes como Madonna e até nossa Pabllo Vittar arrasando em NY. O show de encerramento foi na Times Square com show da Mel C, das Spice Girls. A programação foi muito extensa, isso sem falar das inúmeras festas.

Na semana que eu estava lá, também rolou o LGBTQ Summit, com palestras e painéis de referências do mundo LGBT+ nos EUA e no mundo. Rolou no belíssimo Lincoln Center e fiquei mega honrado porque fui convidado para fazer parte de um painel internacional. Foi meu primeiro evento oficial passando conhecimento em inglês e fiquei nervosão. Já tinha feito vários em português e dois em espanhol, mas inglês foi a primeira vez.

 

Cidade coberta de arco-íris

Passeio de helicóptero especial Pride em Nova York - Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

Passeio de helicóptero especial Pride em Nova York – Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

O passeio que me fez sair mais cedo da marcha na World Pride foi um passeio de helicóptero de meia hora que tinha reservado com a empresa FlyNYON, que tem um tour especial nesse dia pra ver as cores da Pride em Nova York, do alto. O Empire State, o Madison Square Gardens, o One World, tudo iluminado com as cores LGBT+. Foi SEN-SA-CIO-NAL! É dificílimo tirar fotos boas lá de cima, ainda mais porque o voo é com um helicóptero de portas abertas (wow!), então venta muito. Mas consegui fazer uns cliques legais.

Esse tour reflete, lá de cima, o quanto a cidade realmente vestiu a camisa colorida. Sem exagero nenhum, eles “exageraram” (no bom sentido), como boa cidade estadunidense, né? Tinha bandeira LGBT+ em todos os lugares, foi impressionante. Até em igreja com missa de Pride no domingo, dá pra acreditar? Todas as lojas tinham coleção Pride, ou adesivo Pride, bandeiras por todo canto, logos coloridos, tudo! Era até num nível de ficar meio tonto.

Bandeiras LGBT+ tomaram os telões da Times Square, em NY - Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

Bandeiras LGBT+ tomaram os telões da Times Square, em NY – Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

Fiquei hospedado num hostel maravilhoso, o HI New York City, da rede de hostels friendly HI, que todo mundo adora. Normalmente, a volta pro hostel depois de um dia cansativo seria pra tirar a cabeça pra outro lugar, né? Não em Nova York durante a World Pride, baby! Além de participar de um evento especial de Pride com 2 youtubers estadunidenses (DamonAndJo), o hostel estava CHEIO de gays e lésbicas. Imagina como estava o Grindr por lá!

Os letreiros da Times Square mostravam propagandas de todas as marcas aproveitando o momento. Só sei de uma coisa: homofóbicos tiveram dias muito difíceis por lá. Bolsonaro, foi até bom que você não foi, viu, migo? Você ia infartar!

Programas das peças e musicais da Broadway também traziam a bandeira LGBT+ - Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

Programas das peças e musicais da Broadway também traziam a bandeira LGBT+ – Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

Ao lado da Times Square ficam os teatros da Broadway. Eu tive oportunidade de assistir as duas partes da peça Harry Potter and The Cursed Child (Harry Potter e a Criança Amaldiçoada) e o musical Chicago. Nos programas que são entregues para todos os espectadores, uma faixa LGBT+ estampava a capa de todos, fazendo fundo pro título “Playbill”. Alguns teatros também incluíram bandeiras do arco-íris em suas fachadas.

 

Cultura LGBT+

Exposição sobre Stonewall na Biblioteca Pública de Nova York - Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

Exposição sobre Stonewall na Biblioteca Pública de Nova York – Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

Boa parte dos museus da cidade também aproveitaram para trazer exposições temáticas. O Guggenheim estava com exposição do Maplethorpe, um fotógrafo controverso que tinha como um de seus principais assuntos o corpo nu, principalmente o masculino, em situações bastante provocantes e explícitas. O Museu do Sexo tinha, já na lojinha de souvenirs, uma coleção toda de Pride. A Biblioteca Pública de Nova York, que tem entrada gratuita, exibia uma exposição excelente sobre a história de Stonewall.

O Met (Metropolitan Museum), o museu que recebe o famoso evento Met Gala, trouxe uma exposição que misturava a extravagância LGBT+ na moda. Nesse museu, tive a oportunidade de fazer um tour sensacional com um professor que contava os segredos gays dentro do Met.

Tour com segredos gays no museu Met - Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

Tour com segredos gays no museu Met – Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

Durante o tour, ele contava histórias secretas ou implícitas de obras de arte expostas no museu. É muito, muito, muito legal! Pra quem tiver interesse, a empresa que faz esse tour é a Oscar Wilde Tours.

Além desse no museu, eles também têm um outro tour incrível no Greenwich Village, o bairro gay, onde fica o bar Stonewall Inn. Apesar da localidade, Stonewall é só um pano de fundo. Como sua história já é bastante conhecida, o guia explora as histórias paralelas que o bairro tem relacionadas à comunidade LGBT+. Também adorei!

Ainda falando de museus, não deu tempo de eu visitar, mas a cidade tem um museu LGBT+ chamado Leslie-Lohman Museum of Gay and Lesbian Art.

Bandeirinhas do arco-íris dominaram a cidade - Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

Bandeirinhas do arco-íris dominaram a cidade – Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

Foi a maior imersão LGBT+ que já tive na vida. Saí até cansado! Se quiser saber mais sobre o lado LGBT+ da cidade, confere esse guia gay de Nova York.

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Rafael Leick
Criador do Viaja Bi!, primeiro e principal blog de viagens LGBT+ do Brasil. Publicitário paulistano, fez intercâmbio em Londres e lá começou a escrever sobre viagem. Trabalhou com órgãos de promoção turística de Toronto, Argentina, Espanha, Reino Unido, Curaçao, entre outros, e grandes empresas do setor. Ministrou palestras no Brasil e no Peru e foi Diretor de Turismo da Câmara LGBT do Brasil.


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