Debate

Pesquisadores torturaram ratos para dizer o óbvio: estresse deixa o cabelo branco

por: Yuri Ferreira

O uso de animais para testes é sempre uma polêmica, seja na indústria ou na pesquisa científica. Grupos veganos lutam pelo fim dos testes com crueldade animal. Membros da comunidade acadêmica defendem a utilização por serem especificamente necessários para questões de segurança, especialmente se tratando de produtos que serão aplicados em humanos posteriormente.

No entanto, um estudo da USP em parceria com a Universidade de Harvard acendeu o debate por seus métodos e objetivos, como apontado pelo site Vista-se. Cientistas causaram dor aguda por dois dias seguidos em ratos para identificar se o estresse provocado pela dor resultaria embranquecimento dos fios de cabelo.

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A conclusão dos cientistas foi de que sim, como quase todos nós imaginávamos, estresse deixa o cabelo branco. Mas a qual custo?

O estudo publicado na revista Nature na semana passada chocou pelos métodos. Os ratos foram submetidas a uma sensação de dor aguda durante dois dias inteiros e depois isolados. Após um mês, observaram-se o surgimento de fios brancos na pelagem dos roedores.

“Quando estamos sob estresse, é acionado o nosso sistema sintático, conhecido como ‘sistema de luta e fuga’, responsável por gerar ações como aumentar o fluxo sanguíneo nos músculos ou aumentar os batimentos cardíacos quando estamos estressados”, explicou ao G1 Thiago Mattos, da USP, sobre o resultados do experimento.

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Ratos antes e depois de passarem pela situação de dor aguda durante dois dias ganharam pelagem branca

A dúvida se o estresse causava ou não cabelos brancos ainda não tinha sido devidamente explicada pela ciência. A tal síndrome de Maria Antonieta – assim conhecida pela lenda de que a rainha consorte francesa ficou de cabelos brancos na noite anterior à sua morte na Gilhotina – foi explicada pela pesquisa da USP/Harvard. Mas até que ponto o sofrimento dos animais valeu para chegar a essas conclusões?

“Cara, torturam os animais para constatar o óbvio. Beira o absurdo se deparar com esse tipo de experimento nos dias atuais. Eu me considero um homem amante da ciência, só que esse tipo de experimento é inaceitável para os dias de hoje. Faltou no mínimo bom senso da instituição”, disse um usuário nas redes sociais sobre a pesquisa.

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Fotos: Foto 1: © Getty Images Foto 2: Reprodução/Twitter


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.

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