Debate

Por que COI não quer manifestações políticas de atletas na Olimpíada de Tóquio?

por: Vitor Paiva

Um dos eventos mais populares e assistidos de todo o planeta, os ‘Jogos Olímpicos’ são, por isso, uma vitrine perfeita para todo tipo de manifestação politica. E assim se deu: desde o início da era moderna que as Olimpíadas serviram como cenário para diversos momentos verdadeiramente históricos – alguns inspiradores, outros assustadores.

Mesmo na mais recente edição, no Brasil em 2016, a política se fez presente, através da delegação de refugiados que participou da competição. Ao que tudo indica, porém, a política ficará de fora dos próximos ‘Jogos Olímpicos’, em julho desse ano, em Tóquio – ou ao menos é isso que informou o Comitê Olímpico Internacional (COI).

A saudação dos Panteras Negras nas Olimpíadas de 1968

Segundo as regras da competição informadas recentemente pelo COI, todos os atletas e envolvidos com a realização dos jogos estão proibidos de fazerem qualquer tipo de manifestação política, incluindo gestos com possíveis significados – como ajoelhar-se ou levantar o punho – assim como exibir mensagens escritas em faixas, placas, camisetas ou o uso de qualquer símbolo em potencial, como broches ou braçadeiras. O não cumprimento da determinação será avaliado caso a caso, mas gerará punições em potencial contra atletas e até mesmo delegações.

Terrorista do grupo Setembro Negro nas Olimpíadas de 1972

“Acreditamos que o exemplo que damos ao competir com os melhores do mundo enquanto vivemos em harmonia na Vila Olímpica é uma mensagem exclusivamente positiva a ser enviada a um mundo cada vez mais dividido”, diz o comunicado do COI.

“É por isso que é importante, tanto a nível pessoal como global, manter os locais, a Vila Olímpica e o pódio neutros e livres de qualquer forma de manifestações políticas, religiosas ou étnicas”. O comunicado deixa claro, no entanto, que os atletas poderão expressar suas opiniões políticas em entrevistas oficiais assim como em suas redes sociais pessoais.

“A missão dos Jogos Olímpicos é unir e não dividir. Somos o único evento do mundo que coloca o mundo inteiro junto numa competição pacífica”, declarou Thomas Bach, presidente do COI.

Protesto contra o boicote soviético em 1984

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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