Diversidade

Primeiro lugar em direito de federal da Bahia é negro e de escola pública

por: Yuri Ferreira

Hoje, falaremos sobre o Lívio Pereira, jovem de 20 anos que, em 2018, foi o primeiro lugar no vestibular de direito na Universidade Federal da Bahia. Negro e estudante da rede estadual, ele é um exemplo de que, mesmo apesar de todas as dificuldades e falta de estrutura que o povo preto e pobre enfrenta no Brasil, é possível alcançar um lugar de destaque.

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Lívio no trote da Universidade Federal da Bahia

O torcedor do Bahia e hoje funcionário do escritório Pessoa & Pessoa Advogados batalhou e estudou muito para chegar a uma das melhores universidades públicas do Brasil, a Universidade Federal da Bahia, onde realizará o sonho fazer o curso que descobriu durante um técnico.

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“Eu acordava 6h30, tomava café rapidinho, e 7h eu começava minha jornada de estudos. Aí, até o início do ano, até 12 horas, eu parava, almoçava, e enquanto eu almoçava, eu colocava uma vídeo-aula não tão pesada, alguma coisa que eu gostava, uma filosofia, uma aula de história, de alguns professores que eu curtia bastante na internet. E duas horas [14h] eu começava a estudar de novo, que era quando eu só fazia exercício de matemática”, contou o estudante ao G1.

Cotas, sim

Lívio faz parte de milhões de brasileiros que ingressaram nas universidades recentemente. O número de negros na universidade hoje em dia é de 50,3%, segundo o IBGE. Porém, apesar de serem maioria, ainda são sub-representados: 55,8% da população é preta ou parda.

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“Eu fazia um curso técnico de segurança no trabalho e já pegava matérias específicas, que abordava conteúdos de Direito no primeiro ano. Foi aí que descobri que queria fazer o curso. Eu atualizava o Sisu o tempo todo durante três dias. Corri gritando pela casa quando vi meu nome lá e minha mãe achou até que eu estivesse doido”, relatou Lívio ao Correio 24 horas.

Com a recente abertura do Sisu 2020, a história de Lívio pode servir de inspiração para muitos jovens negros ao redor do país que conquistarão vagas no Ensino Superior.

“Que a escola pública sinta-se representada”, afirmou, em 2018, na sua entrevista ao Correio 24.

Isso prova que as universidades, em função das ações afirmativas se tornaram espaços mais inclusivos, sobretudo com negros e pessoas em situação de vulnerabilidade – mairoria do Brasil. Desde então, o que não faltam são casos provando que essas políticas são fazem um bem danado ao progresso da nação. Viva!

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Fotos: Reprodução/Facebook


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.

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