Diversidade

Rio de Janeiro já tem local para novo Centro Cultural da Herança Africana

por: Vitor Paiva

O Rio de Janeiro foi uma das cidades que mais recebeu pessoas escravizadas entre o século XVI e o século XIX em todo o mundo: estima-se que cerca de 2 milhões de pessoas foram sequestradas e enviadas para a então capital do império. Os números são tamanhos que, no período, de cada cinco pessoas escravizadas, uma estava em solo carioca – e mais da metade dessas pessoas entrou na cidade através do Cais do Valongo.

Por isso, mais do que justo era urgente e necessário o anúncio recente de que a Zona Portuária do Rio de Janeiro irá receber um complexo cultural sobre a herança afro-brasileira, que passará a integrar o circuito da Pequena África, que traça pontos históricos da diáspora africana.

O prédio da Companhia Docas Pedro II

O novo Centro de Interpretação do sítio arqueológico Cais do Valongo será localizado no edifício da antiga Companhia Docas Pedro II, onde atualmente é a sede da ONG Ação da Cidadania, que será transferida para o Galpão da Gamboa. Com 14 mil metros quadrados, o prédio será restaurado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e também abrigará o Laboratório Aberto de Arqueologia Urbana, com seu acervo de cerca de 1 milhão e meio de peças encontradas durante as escavações na região, e também um centro cultural da herança africana, gerido pela Fundação Palmares. O investimento no projeto será de 2 milhões de reais.

As ruínas do Cais do Valongo, na Zona Portuária do Rio

Revelado em 2011 por conta das obras de revitalização da Zona Portuária do Rio, o sítio arqueológico do Cais do Valongo foi maior porto do tráfico negreiro nas Américas no período. Estima-se que mais de um milhão de pessoas escravizadas tenham chegado no Brasil pelo local – e, como cenário de uma das mais terríveis páginas da história do Brasil e da humanidade, foi reconhecido como Patrimônio Mundial em 2017 pela Unesco. As ruínas do Cais do Valongo serão restauradas, será construído um museu a céu aberto, com iluminação cênica e sistema de segurança especial.

Interior do edifício da Companhia Docas Pedro II

Publicidade

© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
NASA dá nome de primeira engenheira negra da agência à sede em Washington