Entrevista Hypeness

‘Sempre me ensinaram que a privacidade é algo que você deve valorizar’, diz Lily-Rose Depp, filha de Johnny Depp

por: Janaina Pereira

Ela aprendeu desde cedo a conviver com os holofotes, graças aos pais famosos. Agora, aos 20 anos, começa a trilhar seu próprio caminho no cinema, paralelo a uma bem-sucedida carreira de modelo. Filha do ator Johnny Depp e da cantora francesa Vanessa Paradis, Lily-Rose Depp é o único nome feminino de ‘O Rei’ (‘The King’), de David Michôd (‘A Caçada’), que tem Timothée Chalamet e Robert Pattinson no elenco. O longa impulsou a jovem atriz como uma das mais promissoras em Hollywood.

Nascida e criada em Paris, Lily estreou no cinema em 2014, com um pequeno papel no filme ‘Tusk’ de Kevin Smith, mas foi dois anos depois que seu rosto se tornou mundialmente conhecido, quando estampou capas de revistas como a garota-propaganda da Chanel. Desde então, Hollywood está em seu radar – mas foi a Netflix quem deu a ela seu primeiro grande papel, como Catherine de Valois no filme de Michôd.

“Ela é uma mulher forte e determinada, que está prestes a aceitar um casamento arranjado. Ela não tem escolha, mas impõe suas condições. É uma personagem feminina e feminista em um universo totalmente masculino. Uma mulher que não deixou sua vida ser dirigida pelos homens ao seu redor”, revela a atriz, em entrevista exclusiva ao Hypeness durante o ‘Festival de Veneza’, quando o filme ‘O Rei’ foi lançado.

Inspirado livremente nas peças ‘Henrique IV’ e ‘V’ de William Shakespeare, ‘O Rei’ conta a história do jovem Hal (Timothée Chalamet) que, após a morte de seu pai, é coroado rei da Inglaterra e se torna Henrique V contra sua vontade. Em meio a uma guerra com a França, Hal vai precisar se casar com Catherine de Valois para amenizar a relação entre os dois países. O romance das telas também aconteceu na vida real: Chalamet, um dos jovens atores mais aclamados do cinema, e Lily são namorados, mas esse é um assunto que ela não gosta de comentar.

“Sempre me ensinaram que a privacidade é algo que você deve valorizar e manter o máximo possível. Prefiro que as pessoas pensem que sou chata do que saibam sobre minha vida. Então vou ser chata e não vou comentar sobre meu namoro”, diz, sorrindo.

A discrição foi mantida durante toda a divulgação do filme – o casal nunca apareceu juntos, tendo sempre alguém do elenco entre eles. Lily prefere focar no filme e em sua carreira, coisas que ela fala com entusiamo. “Tenho 20 anos e, naturalmente, muitas inseguranças. Mas atuar em um filme épico, com cenas de batalhas e guerras, onde só uma personagem feminina tem destaque, me pareceu bastante importante. Tenho orgulho de fazer parte disso”.

O pai famoso e polêmico

No auge do movimento Me Too, o nome de Johnny Depp esteve envolvido em um caso de violência doméstica contra sua segunda esposa, a atriz Amber Heard. Em 2016, Amber pediu o divórcio e acusou Depp de ser usuário de drogas e agredi-la física e verbalmente. No mesmo ano as acusações foram retiradas depois de um acordo, mas agora Depp está processando a ex-mulher por difamação. Lily fala sobre o assunto sem rodeios. “Meu pai é a pessoa mais doce e amorosa que conheço. Ele sempre foi um pai maravilhoso para mim e para o meu irmão. Todos que o conhecem sabem disso, e isso é tudo que tenho a dizer sobre ele”.

Já quando o assunto é a influência do pai em sua carreira, ela confessa que não é tão simples ser filha de Johnny Depp.

“Eu pensei bastante antes de decidir trabalhar como atriz. Sei que é um privilégio ser filha dele, e minha mãe também tem uma carreira incrível, então ter pais famosos com certeza facilita a divulgação do meu nome. Mas, sinceramente, a expectativa em torno de mim é bem alta por causa disso. Então eu só penso que tenho pais que são artistas incríveis por direito próprio. E tudo o que posso fazer é tentar ser minha própria pessoa e ter meu próprio trabalho”.

Sobre o papel da mulher no cinema de hoje, com luta por salários iguais e debate contra o assédio na indústria cinematográfica, Lily-Rose Depp acredita que o mercado está mudando para melhor. “Acho que há menos destaque agora para a beleza das atrizes, e muito mais para o talento delas. A gente não tem que se preocupar em ficar bonita quando está atuando, porque está claro que nosso papel é conhecer os personagens e fazer nossa parte”.

A atriz cita a mãe como um exemplo de mulher que enfrentou preconceitos para se estabelecer na carreira artística – Vanessa Paradis estreou como cantora aos 14 anos com o sucesso ‘Joe le Taxi’ (a música que foi regravada no Brasil por Angélica e virou o hit Vou de Táxi).  “As pessoas eram realmente horríveis para ela. Foi uma época diferente. As mulheres não eram tão celebradas por se sentirem confortáveis ​​em sua sexualidade. Minha mãe é realmente pioneira. Ela me ensinou muito sobre autoconfiança”, finaliza.

 

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Crédito: La Biennale di Venezia


Janaina Pereira
Jornalista e publicitária. Especializada em cultura - principalmente cinema - e gastronomia. Desde 2009 cobre os principais festivais da sétima arte, como Veneza, Cannes, San Sebastian, Berlim, Rio e Mostra Internacional de São Paulo. Participou dos livros "Negritude, Cinema e Educação" (escrevendo sobre o filme "Preciosa", de Lee Daniels) e "Guia de Restaurantes Italianos" (escrevendo sobre 45 restaurantes ítalo-brasileiros de São Paulo).

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