Criatividade

SP dos anos 70 tinha nomes de ruas divididos em botânica, literatura e história

por: Vitor Paiva

Uma das maiores cidades do mundo, São Paulo possui cerca de 50 mil ruas, cada uma devidamente batizada – algumas, é verdade, com nomes mais exóticos e singulares do que outras. Pois no início dos anos 1970, a situação era caótica: das então 45 mil ruas da cidade, cerca de 20 mil simplesmente não tinham nomes oficiais – eram denominadas somente por letras ou números. Foi assim que os nomes peculiares de ruas paulistanas nasceram: a partir do importante projeto Cadastro de Logradouros, que criou em 1975 um banco de nomes com 25 mil verbetes para ser utilizado como fonte de batismo para as novas ruas que surgiam e haviam surgido para em uma cidade que não parava de crescer.

O projeto tinha no arquiteto e urbanista Benedito Lima de Toledo, no linguista Flávio di Giorgi e no jornalista Lauro Machado Coelho seus consultores, e trabalhava com estagiários, principalmente estudantes de áreas Humanas. Foram realizados seminários, com levantamento de bibliografias, histórias e características da cidade e seus bairros – havia claramente uma divisão em temas, como botânica, literatura, história e fauna.

Assim, a partir desse banco de dados, que nasceram alguns dos nomes mais curiosos da cidade – como a Rua da Música Aquática, em Jardim São Luís, a Travessa Final Feliz, em Capão Redondo (batizado em celebração à construção de um conjunto de 99 casas realizada em mutirão), a Travessa Maravilha Tristeza, em Raposo Tavares (inspirado em uma planta balsaminácea) e a famosa Rua das Borboletas Psicodélicas, inspirada no terceiro movimento da obra musical “Pour Martina para Piano”, de Henrique Morozowicz.

O trabalho do grupo, que também atualizava os registros oficiais da prefeitura sobre os nomes das ruas, ajudou não só a organizar São Paulo, mas também a oferecer um charme especial ao sem fim de ruas que formam a maior cidade da América do Sul.

 

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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