Arte

Spike Lee, vencedor do ‘Oscar’, será primeiro negro a presidir júri de ‘Cannes’

por: Yuri Ferreira

É inegável que Spike Lee seja um dos maiores diretores da história do cinema. Diretor dos clássicos como ‘Faça a Coisa Certa’, ‘Malcolm X’ e do mais recente indicado ao Oscar ‘Infiltrado na Klan’, o cineasta é um dos principais ativistas do movimento negro na indústria de Hollywood, além de ferrenho crítico da estrutura racial e social americana.

Spike sempre foi renegado das grandes premiações por fazer um cinema extremamente crítico à sociedade estadunidense, mas tem, desde 2017, sido reconhecido por suas enormes contribuições ao cinema. Dessa vez, foi escolhido para presidir o júri do 73º ‘Festival de Cannes’, substituindo o mexicano Alejandro Iñarritú.

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Spike Lee exibe o seu prêmio Grand Prix no Festival de Cannes de 2018

Desde sua fundação, em 1946, o festival mais respeitado do mundo nunca tinha tido um presidente de júri negro. É a primeira vez em cinco anos, vale dizer, que um americano preside a comissão que vai escolher as premiações para filmes de todo o planeta.

Importante ressaltar que mesmo após ter sido duramente criticado por Hollywood, Spike Lee foi continuamente aclamado por ‘Cannes’ em períodos que seus filmes não eram selecionados nas premiações dos Estados Unidos.

“Para mim o Festival de Filmes de Cannes – além de ser o principal festival de cinema de todo o mundo, sem desrespeito aos outros – teve um grande impacto em toda a minha carreira. Seria impossível negar que Cannes mudou a trajetória de quem eu me tornei no cinema mundial”, afirmou o diretor em um comunicado oficial.

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Desde ‘Faça a Coisa Certa’, é inegável que Spike Lee é um dos maiores cineastas da história dos EUA

O primeiro filme do diretor, ‘She’s Gotta Have It’, foi um dos escolhidos na Seleção do Júri em 1986. Desde então, sete longas de Spike Lee foram selecionados pelo festival como os melhores do ano. O último, Infiltrado na Klan’, de 2018, entretanto, foi o único ganhador do ‘Grand Prix’, prêmio do Júri.

Infiltrado’ foi importantíssimo para demonstrar tensões raciais atuais dos EUA e teve enorme e justificado reconhecimento por parte do público e da crítica. Spike abordou temas como disparidade e supremacia racial de maneira primorosa – como sempre em sua carreira -, causando um impacto tamanho que foi duramente criticado pelo presidente americano, Donald J. Trump.

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Trump acusou Lee de racismo reverso (algo que não existe) após ser criticado pelo diretor durante o discurso de agradecimento pelo seu ‘Oscar’ de Melhor Roteiro Adaptado. “Em 2020, faça a escolha moral entre amor versus ódio. Vamos “fazer a coisa certa”! Vocês sabiam que eu tinha de dizer isso!”, disse o diretor no discurso, prevendo as eleições que acontecerão nesse ano.

Spike Lee e Regina King, ganhadores negros do Oscar de 2019

Lee volta a ‘Cannes’ em 2019 fortalecido após o embate com Trump. E se 2019 já foi um ano efervescente no cinema, com grandes filmes, não há dúvida que 2020 nos trará grandes obras. O festival vai de 12 a 23 de maio. Dessa vez, cabe ao festival o peso de dar o substituto de ‘Parasita’. O que será que a premiação nos reserva? Se Deus quiser, a ousadia de seu presidente, Spike Lee.

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Para concluir seu pronunciamento oficial, Spike relembrou que ela é o primeiro afro-descendente a presidir não somente o ‘Festival de Cannes’, mas qualquer júri de grandes festivais de cinema na história.  “Concluo dizendo que estou honrado de ser a pimeira pessoa da Diáspora Africana para os Estados Unidos a ser nomeada Presidente do Júri de Cannes e de um festival de filmes do circuito”, afirmou.

 

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Fotos: © Getty Images


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @yurifen.

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