Ciência

Tecnologia recupera a capacidade de comunicação para pessoas diagnosticadas com ELA

por: Vitor Paiva

Ser diagnosticado com uma doença como a Esclerose Lateral Amiotrófica costumava ser uma lenta condenação ao isolamento completo – ao matar os neurônios que controlam os músculos voluntários, aos poucos o paciente passa a apresentar dificuldade de movimento, fala, deglutição e até respiração. Também conhecida como Doença de Lou Gehrig, a ELA foi a doença que custou a autonomia, os movimentos e por fim a vida do físico e cosmólogo Stephen Hawking – que, até o fim da sua vida, pôde se comunicar através de avançada tecnologia. Pois essa tecnologia acaba de se tornar disponível para o público através do Tobii Dynavox PCEY Mini, um rastreador ocular que permite que o cursor do mouse em uma tela seja controlado pelo olhar.

Stephen Hawking com seu dispositivo de reconhecimento de olhar

A tecnologia se conecta a um PC ou um Tablet com Windows e, ao transformar o olhar em um cursor de mouse, facilita radicalmente a comunicação do paciente com o resto do mundo.

O desafio do balde, que viralizou para levantar atenção para a doença

“Eu precisava piscar letra por letra até formar uma palavra e depois uma frase. Nesse meio tempo, a pessoa que anotava às vezes se perdia ou eu sinalizava a letra incorreta e tinha de começar a frase outra vez”, lembra Dorivaldo Fracaroli, portador da doença e agora usuário da nova tecnologia.

Dorivaldo Fracaroli

A própria frase acima foi toda “digitada”  por Dorivaldo com os olhos, e enviada através de um aplicativo de mensagens instantâneas.

Dorivaldo é autor do livro “Ipê Do Amarelo”, escrito em parceria com a fonoaudióloga Maria José Oliveira – e para realiza-lo, três anos foram atravessados com muito esforço e dedicação.  “Hoje, com meu equipamento, consigo escrever uma página em horas”, afirma Dorivaldo.

O dispositivo Tobii Dynavox PCEY Mini

Foram as vendas do livro que o permitiram adquirir o dispositivo que hoje o permite a se comunicar diretamente com o mundo sem mais estar condenado ao isolamento – tornando-se assim, como hoje costumam lhe apelidar, o “homem que falar pelos olhos”.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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