Tecnologia

Unesco inicia campanha contra crescimento do abuso de assistentes virtuais com voz feminina

por: Vitor Paiva

A misoginia é de tal forma arraigada em nossa cultura que até as assistentes virtuais de nossos smartphones e plataformas online – a vasta maioria batizadas com nomes de mulher, como Siri, Alexa, Lu e Bia – também recebem abusos, assédios, frases de preconceito, intolerância e descriminação de gênero. E para sublinhar ainda mais o efeito simbólico de tal realidade, as respostas das assistentes costumam ser em tom subserviente e passivo.

Para apontar esse verdadeiro símbolo de como o ser humano se comporta mesmo com uma mulher virtual, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) lançou em 2019 o estudo ‘I’d Blush If I Could’ (‘Eu ficaria corada, se pudesse‘, em tradução livre) mostrando os índices de preconceito sofridos pelas assistentes.

Foi em cima desse estudo que a UNESCO iniciou a campanha ‘Hey Update My Voice’ (‘Ei, Atualize minha Voz’, em tradução livre) que busca atentar para a educação virtual a partir do respeito às assistentes online, a fim de pressionar as empresas para, como o nome sugere, atualizarem as respostas de suas assistentes para situações de violência e preconceito.

Além dos nomes, afinal, as assistentes também respondem com vozes femininas, e o site oficial do projeto convida as pessoas a combaterem esse tipo de agressividade.

Além disso, no site é possível que os visitantes gravem uma mensagem de voz de 15 segundos para servirem como sugestão de respostas das assistentes às situações de assédio. A ideia da campanha é trazer as empresas para a causa, para que a resposta das assistentes seja mudada, e que as próprias empresas também se engajem em um movimento por maior educação virtual, como símbolo de nossas relações e da sociedade como um todo. 

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.


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