Futuro

Ativistas usam pintura facial para driblar vigilância em massa e de quebra arrasam no lookinho

por: Gabriela Glette

Nos úlimos anos, a vigilância em massa tem sido usada sob a justificativa de proteger a segurança da população, sobretudo contra o terrorismo. No entanto, existe um linha tênue que diferencia a segurança da invasão de privacidade. Por isto, um conjunto de artistas de Londres – uma das cidades mais vigiadas do planeta, resolveu adotar a pintura facial para driblar o controle e ainda de cara arrasar no look. Abrindo um importante debate, o Dazzle Club é um grupo de ativismo que usa seus próprios rostos para conscientizar a população sobre os efeitos da vigilância generalizada.

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Fusão de dois coletivos diferentes formado por quatro artistas fundadores, o Dazzle Club questiona a política de vigilância e a teoria ciber-feminista, discutindo o conceito de ‘público’ nas cidades. Relativamente novo, o grupo surgiu em resposta a uma carta do prefeito de Londres – Sadiq Khan, que questionava o uso da tecnologia de reconhecimento facial na região de King’s Cross, em Londres.

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Ao pintar seus rostos, os artistas burlam o sistema de segurança da cidade, cada vez mais controlada por órgãos governamentais e instituições privadas. O nome faz alusão ao CV Dazzle – Computer Vision Dazzle, técnica usada para camuflar o reconhecimento facial de softwares. Arte politizada e engajada, estes ativistas nos lembram que existir hoje em dia, também significaser vigiado o tempo todo. 

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De acordo com o coletivo, Londres é a segunda cidade mais vigiada do mundo, apenas vencida por Pequim. Estima-se que 420 mil câmeras observem os habitantes a todo momento. “De alguma forma, isso é normalizado”, explica um membro do grupo.

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Nada aleatório, os ativistas costumam se encontrar por volta das 18h30 e caminham pelas áreas mais vigiadas da cidade. Cada passeio é cuidadosamente coreografado e pode levar até semanas de planejamento, com um membro diferente do Dazzle Club ou artista convidado assumindo o comando a cada mês. A arte, mais uma vez, desafiando o status quo e nos fazendo discutir os conceitos de normalidade.

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Fotos: Instagram


Gabriela Glette
Uma jornalista e produtora de conteúdo que mora na França. Apaixonada por viagens e inquieta por natureza, ela encontrou no nomadismo digital o segredo de sua felicidade, e transforma a saudade que sente da família e amigos em combustível para escrever suas histórias. Gabriela também é fundadora do site Quokka Mag, onde fala apenas sobre coisas boas!

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