Criatividade

Burger King lança ‘combo da abstinência’ e brinca com proposta de suspensão do sexo

por: Redação Hypeness

O Burger King decidiu entrar surfar na onda da polêmica mais atual na política brasileira: a campanha do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos que promove a abstinência sexual entre jovens como método para evitar a gravidez

O foco da franquia é apoiar aqueles que não querem “abrir mão dos prazeres da carne”, mas outro tipo de carne. A carne do sanduíche! A campanha foi lançada nesta sexta-feira (31) e incentiva o público a comprar o Combo Abstinência, que vem com o Rebel Whopper, cujo hambúrguer é à base de plantas. 

A campanha do combo polêmico foi publicada nesta sexta-feira nas redes sociais da marca com a hashtag #RelaxaeGosta ― sugestivo, não?

Além do Rebel Whopper, o combo oferece, por R$ 19,90 até o fim de fevereiro, free refill e batata frita. Fora da promoção Combo Abstinência, estes itens no menu custariam R$ 29,90. 

A campanha de Damares Alves: 

A estratégia de marketing para divulgar o que o governo chama de “iniciação sexual não precoce” foi desenhada pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, liderado por Damares Alves, e terá foco inicial nas redes sociais – a extensão da campanha para televisão e rádio ainda depende da disponibilidade do Ministério da Saúde para arcar com os custos. O conteúdo será direcionado ao público de 10 a 18 anos. 

O secretário nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Maurício José Silva Cunha,  diz que a argumentação não é pautada em elementos religiosos e sim em estudos científicos. Contudo, os dados mostram o contrário: em 2017, já haviam sinais de que o método da educação sexual não pode ser facilmente aplicado no Brasil, embora muito necessário. 

Um estudo feito pela Federação Internacional de Planejamento Familiar mostrou que, comparado com outros países da América Latina, o Brasil fica na lanterninha quando o assunto é a introdução do tema educação sexual no currículo educacional. E a escolha do Ministério não só se aproveita da posição, como também colabora para que fique lá embaixo.

Na comparação entre Argentina, Colômbia, Chile, México e Brasil em aspectos relacionados ao planejamento familiar e ao acesso das mulheres aos métodos contraceptivos, a forte influência religiosa é a que mais atrapalha o desenvolvimento de políticas relacionadas aos contraceptivos. 

Em 2020, a expectativa é que os ministérios construam a Política Nacional de Prevenção ao Risco da Atividade Sexual Precoce. O governo também vai lançar um termo de referência para contratação de consultores para trabalhar no desenvolvimento da política. Nos documentos já produzidos, as experiências dos Estados Unidos e de Uganda aparecem como exemplos positivos da política de abstinência sexual entre adolescentes, independentemente da situação econômica da região.

A campanha planejada pelo governo será feita no âmbito de uma lei sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro, que criou a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência. Ficou estabelecido que anualmente, na primeira semana de fevereiro, serão realizadas ações com o objetivo de “disseminar informações sobre medidas preventivas e educativas que contribuam para a redução da incidência da gravidez na adolescência.

Pensar a abstinência sexual como método contraceptivo é um delírio. A gravidez precoce é um fato. Em todo o mundo, 41% das 208 milhões de gravidezes anuais não são intencionais. Dessas, metade termina em aborto, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), de 2014. 

Não custa lembrar: educação sexual é um processo que visa esclarecer a jovens e adolescentes sobre os riscos, que vão além da gravidez, passando por doenças como o HIV. A gonorreia, infecção transmitida por meio de relação sexual sem uso de preservativo, por exemplo, aumentou e pode se tornar um problema sem cura, diz a Organização Mundial da Saúde. Segundo a OMS, 1 milhão de casos novos são registrados todos os dias.

Ou seja, até que ponto a abstinência sexual resolve esse problema? Para piorar, é preciso ouvir as pessoas, principalmente jovens e adolescentes, que crescem cheios de dúvidas e comportamentos sexuais reprimidos.

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Foto 1: Divulgação / Burger King
Foto 2: EBC


Redação Hypeness
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