Ciência

Cientistas descobrem composto de maconha 30 vezes mais forte que THC

04 • 02 • 2020 às 14:47
Atualizada em 04 • 02 • 2020 às 15:31
Yuri Ferreira
Yuri Ferreira   Redator É jornalista paulistano e quase-cientista político. É formado pela Escola de Jornalismo da Énois e conclui graduação em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo. Já publicou em veículos como The Guardian, The Intercept, UOL, Vice, Carta e hoje atua como redator aqui no Hypeness desde o ano de 2019. Também atua como produtor cultural, estuda programação e tem três gatos.

Uma equipe de cientistas italianos descobriu um composto chamado THCP (ou tetrahidrocannabiforol) – batizado como uma substância prima do THC – psicoativo da maconha. Ela tem 30 vezes mais impacto nos receptores de canabinoides do nosso cérebro. No entanto, ela não vai te deixar 30 vezes mais chapado, mas pode explicar alguns efeitos da maconha que não são esclarecidos pelo THC.

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Pesquisas mostram novo componente na maconha, o que pode abrir um novo caminho na pesquisa da cannabis

Segundo os cientistas um outro componente, chamado CBDP, primo do canabidiol, também foi encontrado. A descoberta é super relevante porque pode dar abertura para novos remédios e também para conhecer novos efeitos da maconha no cérebro humano.

“A descoberta do impacto desses compostos significa que eles tem uma grande afinidade com os receptores no corpo humano. Em variedades de Cannabis em que o THC é encontrado em quantidades muito baixas, passamos a entender que os efeitos são comandados pelo THCP, e assim os efeitos dos canabinoides ainda são observáveis”, afirmou à CNN Dra. Cinzia Citti, que comandou a pesquisa e é professora da Universidade de Modena.

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A descoberta é importante principalmente em países onde a erva é permitida

O THCP pode explicar aquela história de cada maconha dar um ‘barato diferente’. Efeitos como cansaço, fome, relaxamento podem variar em intensidade, alterando a qualidade da maconha. O novo componente é capaz de alterar o método de produção da erva em laboratório – especialmente em países em que ela é legalizada.

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“O desafio é que pode se demorar muito tempo para isolar esse composto, especialmente com fontes muito raras. Mas, historicamente, muito de nossos remédios tem derivado diretamente ou se inspirado nos efeitos de produtos naturais. Se tivermos novos compostos para estudar e que tenham grande efeito no corpo humano, isso vai dar aos cientistas novos materiais para estudar na biologia e na medicina.”, afirmou Jane Ishmael, professora da Universidade Estadual do Óregon, à CNN.

A verdade é que o mercado e a pesquisa acerca das características da cannabis se desenvolvem com rapidez. Os efeitos de seus componentes e usos mercadológicos de suas fibras depsertam curiosidade e entram na mira dos microscópios. Portanto, novas descobertas sobre a plantinha – que um dia já foi erva maldita – só crescem ao redor da comunidade acadêmica.

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Fotos: © Getty Images


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