Diversidade

Como coronavírus expõe racismo e xenofobia contra orientais no Brasil

por: Karol Gomes

Marie Okabayashi contou no Twitter, juntamente com um vídeo da agressora, sobre o caso de racismo e xenofobia que sofreu no metrô do Rio de Janeiro – e do qual fez denúncia.

“Essa mulher esperou eu me dirigir para a porta do vagão para gritar ‘olha lá a chinesa saindo, sua chinesa porca’, ‘nojenta’ e ‘fica aí espalhando doença para todos nós'”, relata.

O surto de coronavírus teve início na China. A doença já causou a morte de 426 pessoas, apenas no país de origem, além de outros 20 mil casos confirmados. Mas, as notícias sobre a doença também têm ajudado a espalhar outro grande mal: o preconceito.

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Imaginário preconceituoso

Na verdade, a origem do vírus só endossa muitas ideias do imaginário comum da população brasileira sobre chineses, orientais e descendentes que vivem em nosso país. Estas minorias podem ser integradas socialmente e até mesmo pertencer a elite, mas nunca passam despercebidas ou imunes ao preconceito e o ódio, que se aliam à discriminação devido a características físicas, sociais e culturais de grupos étnicos.

Assim como negros e índios sofrem racismo estrutural no Brasil, existe também crença cultural por aqui de que somos uma sociedade acostumada à pluralidade e à diferença, que repudia o racismo e a xenofobia, e abraça todos da mesma forma.

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Se fossemos assim tão evoluídos com relação a outros grupos, como toleramos o próprio presidente do país reproduzindo estereótipos sobre orientais e asiáticos?

Jair Bolsonaro (sem partido) nem precisou recorrer ao coronavírus para ofender a jornalista Thaís Oyama, autora de uma publicação sobre o primeiro ano de seu governo. “Esse é o livro dessa japonesa, que eu não sei o que faz no Brasil, que faz agora contra o Governo”, disse. Ela é nascida em Mogi das Cruzes (SP) e é neta de japoneses.

Enquanto isso, em rede nacional, os moradores da casa do reality show ‘Big Brother Brasil’ se unem para difamar o participante descendente de coreanos Pyong Lee.

Negar a nacionalidade de um brasileiro por ter ‘olhos puxados‘ ou reduzir todo um continente a somente uma nacionalidade (normalmente a japonesa), são demonstrações de ignorância e falta de respeito com relação a diversidade de cultura e povos da Ásia, incluindo os que migraram para o Brasil – assim como reproduzir ideias de senso comum.

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É importante lembrar que, assim como Marie fez, é possível denunciar racismo contra públicos orientais. Se você for vítima de injúria racial – ofensas diretamente relacionadas a sua aparência ou crença, procure a autoridade policial mais próxima e registre a ocorrência. Tente contar a história com o máximo de detalhes possíveis e anote contatos de possíveis testemunhas.

E também como fez Marie, dividir sua história pode fazer a diferença, abrindo um debate sincero e importante sobre a questão, educando e incentivando outras pessoas a apontarem o problema. Orientais e descendentes que moram na França, têm feito isso por meio da hashtag #JeNesSuisPasUnVirus (#EuNãoSouUmVírus). Mais didático impossível, não é?

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Fotos: foto 1: EBC/foto 2: Reprodução


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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