Ciência

Coronavírus: moradora descreve como é viver epicentro do surto em cidade fantasma na China

por: Vitor Paiva

Com mais de 200 mortes e mais de 9.800 casos confirmados, o Coronavirus vem apavorando o mundo todo. Além da China, onde o vírus surgiu, casos já foram confirmados na Tailândia, no Japão, Hong Kong, Singapura, Taiwan, Austrália, Malásia, Macau, França, EUA, Coréia do Sul, Alemanha, Emirados Árabes, Canadá e mais, e enquanto o planeta teme esse vírus que pode ser letal e é transmitido pelo ar, a população de Wuhan, cidade chinesa considerada o epicentro do surto, segue isolada em uma espécie de quarentena desde 23 de janeiro. Nada funciona na cidade, e os moradores são aconselhados a ficar em casa. Uma reportagem da BBC Brasil trouxe a história de uma dessas moradoras: Jing, assistente social que vive sozinha aos 29 anos em Wuhan, agora uma espécie de “cidade-fantasma” – e que está escrevendo e publicando um diário desde que a quarentena começou.

População nas ruas de Wuhan

“Eu não sabia o que fazer quando acordei e fui informada sobre o isolamento. Não sei o que isso significa, quanto tempo pode durar e tampouco como me preparar.”, escreveu Jing no dia 23 em que o isolamento começou. “Tem muito mais gente usando máscara cirúrgica. Alguns amigos me aconselharam a estocar suprimentos. Noodles (tipo de macarrão) e arroz estão quase em falta. Um homem estava comprando vários pacotes de sal e alguém perguntou por que ele estava comprando tanto. “E se o confinamento durar um ano inteiro?”, ele respondeu.(…) Quando a cidade vai voltar a viver?”.

As ruas quase fantasmas da cidade

Na noite do ano-novo chinês, dia 25 de janeiro, Jing escreveu: “Eu nunca me interessei muito em celebrar estas datas festivas, mas agora o ano novo parece ainda mais irrelevante.Pela manhã, vi um pouco de sangue depois de espirrar e fiquei com medo. Minha cabeça estava repleta de preocupações em relação à doença. Fiquei pensando se deveria sair ou não. Mas como não estava com febre e tinha apetite, saí”.

No dia 28, Jing percebeu que “o pânico criou uma barreira entre as pessoas”, e o os efeitos do controle da doença sobre a população. “Alguns cidadãos sem máscara foram expulsos de transportes públicos. Não sabemos por que não estavam usando máscara. Talvez não tenham conseguido comprar, ou não soubessem do aviso”, escreveu. “Minha ansiedade em relação à sobrevivência foi se dissipando lentamente. Andar pela cidade não terá sentido se eu não fizer nenhum contato com as pessoas daqui. A participação social é uma necessidade importante. Todo mundo tem de encontrar um papel na sociedade para dar sentido à vida. Nesta cidade solitária, preciso encontrar meu papel”.

Para ler o relato completo de Jing, acesse a reportagem da BBC aqui.

Publicidade

© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Ciclone no litoral brasileiro pode causar tempestades em 9 estados; confira