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‘Desesperada’: ex-mulher do goleiro Jean fala de abandono parental e violência contra a mulher

por: Redação Hypeness


Separada do goleiro Jean depois que o denunciou por agressão, Milena Bemfica, postou ontem no Instagram uma foto com as duas filhas que tiveram juntos, além de um desabafo na legenda, dizendo que tem passado por dias difíceis e que espera por justiça: “Quem vê essa nossa foto, juntas e felizes não imagina os dias complicados que a Mamãe aqui tem passado tentando fazer com que tudo saia perfeito e elas não percebam nada”, escreveu.

Ela citou ainda a agressão por parte do pai das meninas, dizendo que elas o viram batendo na mãe e que tenta levar as filhas para ver Jean, mas que ele ‘se omite‘ e trata com ‘descaso‘ a situação das filhas. “Eu não pedi pra ser traída, eu não pedi para ser espancada, quem fez que arque com as consequências dos seus atos”, escreveu, pedindo justiça.

No dia 18 de dezembro do ano passado, Milena publicou videos em seu Stories onde acusou o goleiro Jean de agressão durante das férias da família na Flórida, nos EUA. Ela estava com o rosto machucado.

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O jogador chegou a ser preso, mas foi liberado após julgamento. Aos 24 anos, ele acabou dispensado pelo São Paulo após as agressões, mas segue a vida: engatou, recentemente, um namoro com a digital influencer Shay Victorio e está no elenco do Atlético-GO.

Leia o texto de Milena na íntegra:

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Quem vê essa nossa foto, juntas e felizes não imagina os dias complicados que a Mamãe aqui tem passado tentando fazer com que tudo saia perfeito e elas não percebam nada … Além do trauma que viveram em ver uma cena que nunca saíra da cabeça delas de um pai agredindo a mãe ainda tem que conviver sem o seu quartinho, sem as suas bonecas, sem os seus antigos coleguinhas, sem os passeios semanais e a atenção diária que a mamãe tinha, sem as aulas de esportes enfim… Se é muita coisa pra mim, adulta, mãe, imagina para elas? 2 princesas inofensivas … Eu me calei, não queria polêmica, conversei, avisei, mas cansei, vou lutar pelas minhas filhas e pelos nossos direitos até o fim! E já que temos redes sociais vamos usá-la ! A mamãe fez de tudo para elas irem ver o pai, por conta do psicológico delas e o pai faz o que? Se omite, some, não liga, trata com descaso a situação das próprias filhas, filhas que como ele disse são minhas, mas na certidão tem o nome dele, enfim… Não deixei e não vou deixar passar, quem mais tem direitos de nos dois são elas e eu farei de tudo para que elas tenham tudo que tinham! Eu não pedi pra ser traída, eu não pedi para ser espancada, quem fez que arque com as consequências dos seus atos que por sinal ainda foram leves diante de toda a situação! Quero justiça! Que ele pague o que tem que pagar sim! E que Deus tenha piedade dessa pessoa, sem raiva, sem mágoas, apenas uma mãe desesperada querendo ver as suas filhas sorrir com leveza novamente! 🙏🏻😢💖 #JEANPAGUEPENSAO #TUDOPORELAS #MAEEMAE #NAOVOUMECALAR #ODIREITOÉDELAS

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Agressores e feminicidas no esporte

A facilidade com que Jean conseguiu outro emprego e outra parceira logo após as graves acusações de Milena, faz lembrar um outro caso e uma reflexão sobre a ‘punição‘ que homens famosos, principalmente por meio do futebol, têm recebido.

A jornalista Jéssica Senra, no programa ‘Bahia Meio Dia’ no mês passado, deu o papo reto sobre a então contratação do goleiro Bruno pelo time Fluminense de Feira (BA). O clube desistiu das negociações depois das críticas da apresentadora. O atleta foi condenado por mandar o sequestro e assassinato brutal de Eliza Samudio, a mãe de seu filho, para evitar que ela cobrasse o pagamento de pensão.

“Desejamos e precisamos que pessoas que cometem crimes tenham a possibilidade de refazer suas vidas, mas diante de um crime tão bárbaro, tão cruel, poderíamos tolerar que o feminicida Bruno voltasse à posição de ídolo? Que mensagem mandaríamos à sociedade? Atletas são referências. Contratar para um time de futebol um assassino, um homem que mandou matar a mãe do seu filho, esquartejar, dar o corpo para os cachorros comerem é um desrespeito. É um desrespeito a nós mulheres”.

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Eu acredito na recuperação do ser humano. Acredito que a maioria das pessoas merece outras chances depois que comete erros, porque errar é da essência humana. O perdão é um dos sentimentos mais belos que podemos cultivar. Mas perdoar alguém não significa esquecer o que esse alguém fez nem permitir que esse alguém continue em nossa vida. Perdoar e dar uma nova chance não apaga o que foi feito, não se pode fingir que nada aconteceu. Embora juridicamente o cumprimento de uma pena libera o condenado para seguir sua vida normalmente, é socialmente que precisamos pensar no que toleramos ou não. Nem tudo é apenas questão de lei. Há comportamentos legais que são imorais. Um condenado pode e deve ser ressocializado. Deve merecer uma segunda chance. Mas penso que, depois de um crime tão perverso, voltar a ser ídolo, a estar numa posição que lhe confere status de ídolo, é bastante questionável. Penso que o feminicida deve voltar ao trabalho, mas não no futebol, não como ídolo. Defendo sua ressocialização, mas longe de qualquer torcida. E isso não é a lei que vai decidir. É a sociedade. E se ele tivesse estuprado um bebê? O que os “fãs” diriam? Lembro que há pouco mais de dois anos, jogadores foram flagrados num vídeo masturbando uns aos outros no vestiário de um clube gaúcho. Os quatro jogadores foram dispensados. Seus nomes, inclusive, foram poupados para evitar que eles fossem banidos do futebol. E é bom que fique bem claro: eles não cometeram crime algum, não fizeram nada contra a vontade de ninguém! Mas, absurdamente, a homossexualidade ainda é intolerável no futebol. Ser feminicida é aceitável? O que você pensa disso? #NãoAoFeminicídio

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Jéssica levantou uma assunto sério: o feminicídio é uma epidemia o Brasil. Em 2018, o Brasil registrou um aumento de 8,4% nos casos – isso significa que uma mulher é morta a cada duas horas no país, de acordo com o levantamento feito pelo G1 com base nos dados oficiais dos 26 estados e do Distrito Federal. Segundo o relato de Milena, Jean poderia ter colaborado para os dados caso ela não tivesse denunciado.

Jean agrediu a esposa na frente das filhas

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Também como no caso do goleiro Bruno, Jean está praticando abandono parental e, em um país com mais de 1 milhão de famílias compostas por mãe solo, segundo dados colhidos pelo IBGE, isso acaba sendo comum e aceito. Desse jeito, o contrato com outro time acaba ficando fácil, não é mesmo?

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Foto: Reprodução / Instagram


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