Futuro

Destruída por chuvas, no passado BH “escondeu” 25% de seus córregos urbanos

por: Vitor Paiva

São muitos os motivos para que grandes cidades sofram com enchentes e inundações em fortes chuvas, como cada vez mais é recorrente no Brasil. Uma das principais causas, no entanto, se esconde embaixo das camadas de concreto e asfalto das metrópoles: grandes rios que foram aterrados ou canalizados, e que encontram-se hoje “tapados” nas chamadas “avenidas sanitárias” – e esse é o caso de Belo Horizonte, cidade que recentemente vem sofrendo intensamente o efeito de grandes inundações: atualmente 25% dos cursos d’água da capital mineira estão cobertos por concreto.

Trata-se de cerca de 165 km de água de um total de 654 km de rios que cruzavam BH. A cidade, portanto, como tantas outras no Brasil, poderia funcionar como Veneza ou Amsterdam, toda cortada por canais abertos, especialmente se consideramos que sua escolha como capital do estado se deu justamente pela quantidade de água que possuía. A canalização coberta e subterrânea pode ter escondido a “sujeira” que os rios se tornaram com o despejo incorreto de lixo e esgoto, mas não resolvia de fato o problema, apenas o transferia para outros rios – além de aumentar o potencial de inundação.

Enchentes em Belo Horizonte no início desse ano

A canalização dos rios começou a partir da especulação de construtoras para realização de novas pistas e imóveis. Hoje restam apenas 96 km de rios em leitos naturais em Belo Horizonte, tomados em sua maioria por lixo, poluição e esgoto. Cerca de 15 anos atrás, a prefeitura de BH lançou um programa de drenagem urbana, a fim de recuperar os cursos dos rios e evitar as canalizações, mas o projeto não passou ainda de suas fases iniciais. Enquanto isso, intensos volumes de água fazem com que o Rio Arrudas, por exemplo, eventualmente exploda, levando bueiros, concretos e a segurança da população mineira.

Ondas pelo Rio Arrudas, na capital mineira

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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