Arte

Diretor de ‘Parasita’ é fã de Glauber Rocha e quer passar Carnaval no Brasil

por: Vitor Paiva

Ao revelar a inevitável faceta cruel, desigual e desumana do “sucesso” do capitalismo em seu país, o diretor sul-coreano Bong Joon-ho criou com “Parasita” uma obra-prima: a crítica sócio-econômica afiada, tratada entre a fábula, o suspense e até o humor, levou o filme ao topo da indústria, conquistando quatro Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Direção. Mas se tal crítica social serve como base para a narrativa de “Parasita”, quais são as influências cinematográficas que Joon-ho carrega em sua carreira como diretor? A resposta veio de uma entrevista realizada em 2017, e é ao mesmo tempo surpreendente e coerente.

Bong Joon-ho com dois dos quatro prêmios que seu filme levou

Segundo o diretor, ainda que procure sempre assistir às novas produções latino-americanas, um de seus filmes preferidos vem do maior diretor brasileiro em todos os tempos. “Sempre que posso, confiro o que estão fazendo os novos diretores chilenos, peruanos, argentinos, brasileiros”, disse Joon-ho. “Porém, de todos eles, “Deus e o diabo na terra do sol” (1964), do Glauber Rocha, foi o filme que jamais saiu de minha cabeça. É impressionante, ainda hoje fico de boca aberta ao rever aquela maravilha”, comentou, confirmando que o cinema da América do Sul é uma influência desde seus tempos na faculdade e em cineclubes de Seul.

O ator Othon Bastos em cena de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha

Na mesma entrevista, Joon-ho – então divulgando o filme “Okja” – afirmou que aguardava por convites de festivais brasileiros para poder finalmente realizar o sonho de conhecer o país. “Tenho curiosidade sobre a comunidade coreana em São Paulo e sou fascinado pela estética dos desfiles das escolas de samba no Rio, há algo extremamente cinematográfico neles”, disse. “Tenho medo, mas ao mesmo tempo enorme interesse em experimentar a energia sem fim do carnaval brasileiro. Mas antes precisarei começar um regime para poder ir à praia e desfilar no sambódromo sem passar vergonha” brincou.

O diretor com o elenco de “Parasita”

Além de Melhor Filme e Melhor Direção, “Parasita” também conquistou os Oscars de Melhor Roteiro Original e Melhor Filme Internacional, e se tornou o primeiro filme de língua não-inglesa e ganhar o prêmio de Melhor Filme.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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