Ciência

Entenda como a maconha pode limpar solos contaminados e radioativos

por: Vitor Paiva

Descobrimos algo profundo sobre o mundo quando confirmamos que a planta mais perseguida e criminalizada do planeta é também a mais benéfica, versátil e potente possível. Se, além de ser transformada em papel, tecido, alimento, combustível e muito mais, a maconha pode também curar ou amenizar uma série de doenças crônicas graves, novas pesquisas sugerem que a planta pode salvar não só a saúde humana, mas também a saúde do planeta: a maconha industrial – produzida com baixos níveis de THC – parece ser um dos mais eficazes filtros de limpeza de químicos e poluentes do solo, permitindo, por exemplo, que locais contaminados por radiação possam voltar a ser limpos e férteis.

Por possuir raízes longas e crescimento rápido, e ainda por consumir pouca água durante seu crescimento, a planta da maconha é perfeita para um processo natural e eficaz de limpeza do solo. No lugar do caríssimos processo de utilizar outros químicos para limpar solos contaminados por radiações ou metais pesados, a maconha se oferece como uma alternativa mais saudável, de menor impacto e muito mais barata. A mostarda é outra planta que, com características semelhantes à maconha, pode ser utilizada como “fitoremediador” para salvar solos do planeta.

Os poluentes são sugados pela planta, através de seu processo natural de crescimento, e deixam  o solo. Estudos há décadas vem sendo realizado ao redor do processo do uso da maconha como “fitoremediador” por universidade como a do Colorado e da Virgínia, nos EUA, e a cidade de Taranto, no sul da Itália, viu sua produção agrícola voltar a existir após a maconha ser utilizada para limpar o solo, contaminado por uma usina de produção de aço.

O grande problema até aqui não está na planta nem no processo mas, como sempre, na política: o cultivo da maconha ainda é proibido em diversos países do planeta – no Japão, por exemplo, que poderia utilizar a planta para ajudar na limpeza da região de Fukushima.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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