Viagem

Fake news: Bill Gates não comprou primeiro iate movido a hidrogênio do mundo – e o barco ainda é só um projeto

por: Vitor Paiva

Luxo, sustentabilidade, tecnologia e centenas de milhões de euros: todos esses temas estavam devidamente contemplados na notícia recente que anunciava que Bill Gates havia comprado, por nada módicos 588 milhões de euros, o super-iate AQUA, a primeira embarcação movida a hidrogênio líquido do mundo. Acontece que nada na internet é necessariamente o que parece, e tudo nessa notícia não passava de fake news: o fundador da Microsoft não comprou o barco, a o AQUA ainda é só um conceito em desenvolvimento – o iate, na vida real, ainda está alguns anos de estar de fato construído e navegando.

A própria empresa responsável pelo projeto, a holandesa Sinot, desmentiu a notícia. O que não nos impede, porém, de viajar – em nossa imaginação e por dentro do projeto apresentado em uma feira em Mônaco, no ano passado – a bordo do iate. Com 112 metros de comprimento e cinco andares, o AQUA é capaz de receber 14 convidados em 4 quartos para convidados, 2 suítes VIP em estilo oriental, 1 pavilhão especial para o dono, e ainda 31 funcionários – em 14 cabines duplas, 2 cabines oficiais e 1 cabine para o capitão.

O local ainda oferece um centro de saúde e bem-estar com ginástica, hidromassagem, estúdio de yoga e uma piscina “infinita”.

O próprio navio em seu luxo absoluto, no entanto, é a grande atração. “Para o desenvolvimento do Aqua, nos inspiramos no estilo de vida de um proprietário que pensa à frente”, disse a empresa, na apresentação do projeto. “Aqua é um conceito apresentado em Mônaco que procura construir um futuro melhor e inspirar clientes e a indústria. Nós convidamos qualquer cliente visionário que tenha interesse!”.

Ainda que se trate de um luxo nunca visto em embarcação do tipo, a grande novidade são mesmo os dois tanques de hidrogênio que movem o AQUA – cada um com 28 toneladas de capacidade, selados a vácuo e refrigerados em uma temperatura de -253ºC. Trata-se de um combustível já muito utilizado na indústria espacial, porém mais seguro, mais leve, incrivelmente eficiente e renovável.

O hidrogênio é, no entanto, extremamente caro, como o próprio navio – que, por enquanto, não passa de um conceito, um sonho ou uma louca ideia ainda sem dono.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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