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Influente para grandes artistas ocidentais, Hokusai ganhará filme em 2020

por: Brunella Nunes

O que grandes artistas como Vincent Van Gogh, Claude Monet e Edgar Degas têm em comum? Além de impressionistas, foram todos influenciados pelo artista japonês Katsushika Hokusai, que ganhará um filme em 2020 contando a sua fascinante e longeva trajetória.

Foi Van Gogh, um dos nomes mais marcantes de toda a história da arte, que disse certa vez: “vemos mais com o olhar japonês, sentimos as cores de maneira diferente”. Sábio e observador ele era, afinal, há muito o que aprender com a cultura oriental.

Quando falamos em Hokusai, estamos resgatando, de certa forma, uma arte ancestral e que ao mesmo tempo é vanguardista. A partir de sua série “36 Vistas para o Monte Fuji”, de 1830, da qual faz parte a icônica e monumental obra “A Grande Onda de Kanagawa“, a xilogravura e estampa japonesa passaram a ter inspiração paisagística e cotidiana.

O estilo se chama ukiyo-e, que significa “retratos do mundo flutuante transitório”, origem budista que aborda o caráter fútil e ilusório da existência mundana. No período Edo, porém, ganhou contornos hedonistas, passando a ser interpretado como um retrato das “delícias” da vida. Atualmente, poderíamos pensar que o termo ukiyo-e é como se fosse um “carpe diem” versão oriental. As imagens se traduzem como aproveitar os prazeres da vida de forma despretensiosa.

Através da arte, Hokusai introduziu a natureza dentro deste pensamento de conexão com o prazer, além de pontuar seu valor e magnitude. As cenas retratadas por ele são fortes, quase hipnotizantes, como mostra “A Grande Onda de Kanagawa”, que é simplesmente a obra de arte mais reproduzida do mundo. O artista já tinha 70 anos de idade quando a fez.

Além de influenciar artistas e divulgar o Japão outros países, inspirou a peça sinfônica La Mer, do compositor francês Claude Debussy. Sua produção de desenhos, reunidas em “Hokusai Mangá” (1814), pode ter sido precedente para a criação do mangá como conhecemos hoje. Não por acaso ele foi considerado pela revista Life uma das “100 pessoas mais importantes dos últimos 1000 anos”.

Numa época em que se morria muito jovem, devido a doenças, Hokusai viveu por 90 anos. Começou a pintar aos 6 e com apenas 14 anos passou a entalhar madeira, o que o levou a trabalhar com Katsukawa Shunshō, mestre no estilo ukiyo-e, quatro anos depois. Depois disso, não deixou de se entregar aos prazeres da arte. Antes de morrer, virou poesia, ou haikai, deixando o seguinte escrito:

Agora como espírito
devo atravessar
os campos de verão.

Hokusai não se limitou às belezas naturais. Também retratou o cotidiano urbano de variadas classes sociais e cenas eróticas. A questão é que ele teve muitos pseudônimos ao longo de sua existência e para cada mudança em seu estilo, alterava sua assinatura. Acredita-se que utilizou mais de 30 nomes e tenha mais de 30 mil obras em sua carreira, ainda que oprimida pelo governo feudal.

Lançado primeiramente no Japão, o filme “Hokusai”, distribuído pela produtora SDP, se baseia em fatos históricos e se constrói a partir de dois personagens principais: Tsutaya Juzaburo, editor que descobriu e despertou o talento do jovem Hokusai; e o popular escritor Ryutei Tanehiko, que se tornou parceiro de Hokusai na terceira idade.

O papel do artista é dividido em duas fases, ficando a cargo de Yuya Yagira, que recebeu o prêmio de Melhor Ator por sua atuação em “Ninguém pode Saber” no 57° Festival de Cinema de Cannes; e o dançarino internacional Min Tanaka, premiado por suas performances.

No ano de lançamento do longa se celebra os 260 anos de Hokusai, um homem múltiplo, que se eternizou no tempo. Viveu pela arte e ainda vive por ela.

 

Por enquanto, foi lançado apenas um teaser do filme.

A filha artista

Hokusai teve dois casamentos e alguns filhos, mas apenas uma filha seguiu seus passos. Ou viveu à sua sombra? Pouco se sabe sobre ela, mas O-Ei Katsushika se juntou ao pai após divórcio do marido. A dupla costumava passar o dia pintando, seguindo a premissa de serem espíritos livres e sem muitas responsabilidades.

Dizem que tal condição dava à eles a característica de nômades, pois iam mudando de lugar a medida em que a vida desregrada se desajustava. Acredita-se que Hokusai teve 93 mudanças de casa.

Talentosa, Katsushika não herdou da figura paterna o dom de se promover. Sem a mesma fama, ela começou a produzir antes mesmo de morar com ele, porém, não há muitas obras da artista circulando pelo mundo. Há questionamentos sobre o quanto ela pode ter ajudado e influenciado no trabalho de Hokusai, que já estava na terceira idade quando fez suas peças mais conhecidas.

Uma série de mangás dos anos 1980, chamada Sarusuberi: Miss Hokusai e ilustrada por Hinako Sugiura, conta a história da artista ao lado do pai. O diretor Keiichi Hara adaptou história em quadrinhos para animação, em 2015. Apesar de ter caráter biográfico, também cabem livres interpretações, toques de ficção, mitologia japonesa e budismo.

Abaixo está o trailer, com legendas em inglês:

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Brunella Nunes
Jornalista por completo e absoluto amor a causa, Brunella vive em São Paulo, essa cidade louca que é palco de boa parte de suas histórias. Tem paixão e formação em artes, além de se interessar por ciência, tecnologia, sustentabilidade e outras cositas más. Escreve sobre inovação, cultura, viagem, comportamento e o que mais der na telha.

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