Debate

Projeto luta para remover nome de assassino de Zumbi dos Palmares de rua

Vitor Paiva - 08/02/2020 | Atualizada em - 11/02/2020

Em um país de dimensões continentais e com uma história tão sombria e violenta quanto a nossa, não é surpresa para ninguém que muitas ruas, prédios e locais públicos tenham sido batizadas em homenagem a pessoas indignas de tal tributo. Aos poucos a história e o esforço de quem luta vai corrigindo tais horrores e injustiças, e essa é a luta de alunos da Faculdade Zumbi dos Palmares diante da Rua Jorge Velho, localizada a poucos metros da faculdade, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo. Poucos sabem que o homem que batiza essa rua foi justamente o bandeirante que ordenou a execução do líder negro Zumbi dos Palmares.

A descoberta foi realizada pelo movimento Zumbi Resiste, criado pelos próprios alunos, que agora lutam para reverter o “tributo” por completo – e rebatizar a rua como Zumbi dos Palmares, para transformar o local em um espaço de resistência negra. Como se não bastasse a própria história, a Rua Jorge Velho é passagem para muitos alunos da universidade, e na semana da consciência negra, o local foi ocupado por esses alunos, para pressionar as autoridades a realizarem a mudança.

Acima, aluno em protesto; abaixo, a sede da Faculdade

Atualmente o pedido de alteração transita na Câmara de vereadores de São Paulo, e um abaixo-assinado vem sendo levantado para pressionar ainda mais pela mudança urgente. Zumbi dos Palmares liderou o Quilombo dos Palmares e foi responsável pela libertação de um grande número de pessoas escravizadas. Em 1694, Domingos Jorge Velho, a frente de mais de 6 mil homens, tomaram o Quilombo e realizaram um banho de sangue no local. Zumbi só seria apanhado em novembro de 1695 em um esconderijo, sendo enfim morto pelas tropas de Jorge Velho. Para saber mais sobre o movimento Zumbi Resiste e assinar o abaixo-assinado, acesse o site aqui.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é mestre e doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Publica artigos, ensaios e reportagens, é autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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