Diversidade

Rainha de bateria trans prova que Carnaval só sobrevive com a diversidade

por: Yuri Ferreira

O Carnaval já provou que é uma expressão importante da nossa sociedade e que reflete as lutas sociais que estão sendo travados na sociedade no Rio. A cada ano que passa, enredos mais politizados e mais representatividade tem invadido tanto a Sapucaí como a Anhembi, e é claro que nesse ano de 2020 não seria diferente.

Uma ótima notícia desse ano aconteceu no Anhembi. A Colorado do Brás, que desfila no Grupo Especial de São Paulo pela primeira vez desde 1993, teve a primeira rainha de bateria trans da história da primeira divisão do Carnaval paulista. Camila Prins sambou e comandou a bateria da escola no segundo desfile da noite desse sábado.

Camila Prins foi uma importante vitória do Carnaval Paulista nesse 2020

– Botar o respeito na rua: 7 iniciativas que lutam por um Carnaval livre de preconceitos

Com o tema do Rei Dom Sebastião, uma espécie de mito da sociedade portuguesa e líder de fé dos sebastianistas – que acreditam que o monarca, desaparecido em 1578 na batalha de Alcácer-Quibir, no Marracos, irá voltar -, a escola voltou para a primeira divisão com um belo desfile que explorou todas as teorias por volta de Sebastião.

– Carnaval: Thaís Carla posa de Globeleza em ensaio anti-gordofobia: ‘Ame seu corpo’

Mas Camila Prins, a Rainha de Bateria, foi também uma das ótimas surpresas da Escola que retornou: “[Sou] Madrinha de bateria LGBT, o que é uma responsabilidade ainda maior. Tenho orgulho de poder levantar minha bandeira, de assumir minha transexualidade sem vergonha”, afirmou a passista ao UOL.

Apesar de o carnaval paulista não ter tanta politização em seu discurso quanto o carioca, é importante que esse tipo de conquista prática para a comunidade trans aconteça.

– Carnaval de BH lança cartilha com fantasias ‘proibidas’; veja lista

“Nesse tempo homofóbico no Brasil, tenho orgulho de mostrar e bater no peito. Fiquei 17 anos escondida. Meu primeiro ano foi em 2018 como rainha de bateria trans, quando eu assumi quem eu era. A gente não precisa estar escondida e tem que ser como é para ser feliz”, completou.

 

 

Publicidade

Fotos: Reprodução/Twitter


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Lashana Lynch será a 1ª mulher a interpretar ‘007’ em decisão mais acertada da franquia