Debate

Raquel, do meme ‘3 reaix’, processa 56 empresas por direito de imagem

18 • 02 • 2020 às 17:07 Yuri Ferreira
Yuri Ferreira   Redator É jornalista paulistano e quase-cientista político. É formado pela Escola de Jornalismo da Énois e conclui graduação em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo. Já publicou em veículos como The Guardian, The Intercept, UOL, Vice, Carta e hoje atua como redator aqui no Hypeness desde o ano de 2019. Também atua como produtor cultural, estuda programação e tem três gatos.

“Três reais? Três reais. Três reais?! Isso mesmo. Três reais”. A incrível repetição do diálogo feito entre a artesã Raquel Motta e apresentadora Ana Furtado foi montado pelo quadro ‘Isso a Globo Não Mostra’, do ‘Fantástico’. Na entrevista original, Raquel ensinava no ‘É de casa’, também da Globo, como fazer uma carteira artesanal de baixo custo. Mas o meme prevaleceu.

No entanto, muita gente utilizou a imagem de Raquel da maneira indevida. Do Burger King à Rappi, de drogarias a motéis, muitas marcas fizeram do meme uma peça publicitária, fazendo a imagem da artesã um objeto de lucro. Entretanto, Motta nunca autorizou esses usos e agora processa 56 empresas por direito de imagem.

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Raquel se defende contra o uso indevido de sua imagem por parte de propagandas publicitárias

Que o meme dos três reais marcou a internet e foi utilizado milhões de vezes em diversos contextos é fato. O problema é que a utilização de uma imagem de uma pessoa para promover um produto não é ética e pode ser ilegal, segundo advogados.

“O direito de imagem é protegido na forma de direitos fundamentais pela Constituição Federal, tratando-se de atributo inviolável, podendo o seu titular adotar as medidas necessárias para fazer cessar a sua lesão ou ameaça de lesão, caso a sua utilização atinja a honra, boa fama, respeitabilidade, ou, ainda, se destinada para fins comerciais ou publicitários, sem prejuízo de obter o ressarcimento pelos danos causados, conforme prevê o Código Civil”, afirmam as juristas Gisele Amorim Zwicker, Luciana Ferreira Bortolozo e Renata Yumi Idie em coluna do site Migalhas.

– Para evitar cópias criadores estão registrando seus memes oficialmente

O meme gerou visibilidade e transformou a vida de Raquel. “Eu estava sentada no sofá quando assisti ao programa. Fiquei surpresa com a proporção que isso tomou, mas resolvi entrar na brincadeira. Comecei a ensinar, nas redes sociais, como fazer artesanato e abri uma lojinha virtual”, admitiu ao EXTRA.

Mas muitas marcas se apropriaram de sua imagem sem sua autorização. É justamente nessa tecla que Raquel bate. “A equipe conseguiu montar, até agora, dois processos, contra 56 empresas ao todo. Ainda vou processar as outras. É um absurdo o que fizeram. Minha imagem foi usada por muitos, de drogaria até motel”, relatou.

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Fotos: Reprodução/Globoplay


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