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16 desastres que assim como a Covid-19 mudaram os rumos da humanidade

por: Kauê Vieira

O avanço da pandemia provocada pelo novo coronavírus é responsável pela maior crise humanitária dos tempos modernos que se tem notícia. O jornal South China Morning Post diz que o primeiro caso de infecção no mundo ocorreu na China em 17 de novembro. 

Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que o primeiro registro da doença foi em 8 de dezembro. O órgão informa que recebeu a comunicação do governo chinês. Em questão de poucos meses, o mundo se viu envolto em uma crise sem precedentes que tirou a vida de pelo menos 18 mil pessoas e deixou outras 415 mil doentes.

– Crise na Bolsa: como está a vida de quem trabalha no mercado financeiro em meio ao Covid-19

Coronavíurs: transporte em São Paulo vazio

Novo epicentro da crise, a Europa registra situação desesperadora. Apenas na Itália mais de 59 mil casos que tiraram a vida de ao menos 6 mil pessoas. Nas Américas, o cenário mais catastrófico até aqui é dos Estados Unidos, que tem 51.800 infectados e 668 óbitos. No Brasil, a escalada tira o sono de todo mundo.

– Coronavírus e a inabilidade social ameaçam negros e pobres

O maior país da América Latina tem quase 2.201 mil casos e 46 mortes até a noite de terça-feira, 24 de março, apontam os dados divulgados pelo Ministério da Saúde. O medo da perda de vidas e dos efeitos provocados pela Covid-19 fazem recordar outras tragédias que atingiram com força a humanidade. 

Salvador de quarentena e ruas fantasmas no Centro Histórico

Antes da lista, é importante dizer que o novo coronavírus não deve ser menosprezado. Os números acima dão o tom do tamanho do problema, que é sério e já tirou a vida de milhares de pessoas inocentes. Mantenha suas mãos limpas com água e sabão, garanta o álcool gel e fique em casa se puder. Se tiver que sair para trabalhar, procure-se proteger o máximo possível. 

– Coronavirus, isolamento social e a sobrecarga de mulheres mães

1. Terremoto no Haiti 

Palácio Nacional do Haiti, destruído pelo terremoto

Em 2010, o Haiti foi atingido por um terremoto sem precedentes. 300 mil pessoas perderam suas vidas em um desastre que deixou expostas as chagas provocadas pela miséria e a má gestão, desde o tempo da colonização, do país mais pobre das Américas.

Mais de um milhão e meio de pessoas perderam suas casas em um terremoto de 7 graus na escala Richter, que teve a península de Tiburon como epicentro. A crise humanitária revelou a vulnerabilidade do país de maioria negra e levou mais de 70% da população para a miséria. A brasileira Zilda Arns, coordenadora da Pastoral da Criança, foi uma das vítimas. 

Entre as destruições mais simbólicas causadas pelo terremoto está o Palácio Nacional do Haiti, residência oficial do presidente, que fica na capital Porto Príncipe, e foi atingido com força durante o sismo. 

2. Guerra de Biafra 

A Nigéria se viu livre do Reino Unido em 1960, quando se tornou independente. A liberdade trouxe uma sucessão de problemas e uma das maiores crises da história da humanidade. A Guerra da Biafra ou Guerra Civil Nigeriana pode ter tirado a vida de 3 milhão de pessoas.

Tudo começou com a disputa pela independência do antigo território da Biafra – que teve existência de apenas 33 meses.  O confronto envolveu alguns dos mais de 250 grupos étnicos da Nigéria, sobretudo entre os hauça e fula, que habitavam o norte e os iorubás e os igbos no sudeste. 

O conflito inspirou a escritora nigeriana Chimamanda Adichie, autora do livro ‘Meio Sol Amarelo’, que trata de um dos eventos históricos mais marcantes da humanidade. O romance levou o prêmio ‘Orange Prize’, de 2007, pela forma humanizada que tratou da guerra a partir de pontos de vista individuais. 

3. Bomba atômica

A Segunda Guerra Mundial teve outro desdobramento marcante: as bombas atômicas que dizimaram as cidades de Hiroshima e Nagasaki, no Japão. O ataque, que completou 74 anos em 2019, foi de autoria dos Estados Unidos e serviu de resposta da gestão do presidente Harry Truman à ofensiva japonesa na base norte-americana de Pearl Harbor. 

A bomba atômica lançada pelos EUA mudou a geopolítica mundial

Pelo menos 200 mil pessoas morreram nas duas cidades e outras 2.500 na base dos Estados Unidos. A ofensiva dos EUA provocou uma verdadeira corrida nuclear equipando países como Rússia, Coreia do Norte, Reino Unido e China.

4. Erupção do Krakatoa 

Em 1883, a Terra sentiu a ira do vulcão, que cuspiu lava na ilha de Krakatoa, onde hoje está a Indonésia. A explosão seguiu por 22 duas horas, matando 36 mil pessoas. O som foi ouvido a mais de 5 mil km de distância Impressionante. 

O Krakatoa esfriou a temperatura da Terra

A magnitude foi tão grande, que as cinzas do Krakatoa circularam pelo planeta Terra, provocando queda repentina de temperatura e alterações no nascer e pôr do Sol. Estudos dizem que a temperatura do planeta caiu 1ºC. Todos os animais e a vegetação da ilha foram dizimados.  

5. Acidente nuclear de Chernobyl 

A então União Soviética recebeu críticas pela demora na reação

Rússia e Estados Unidos são seguramente protagonistas de desastres que transformaram a história humana. Além do envolvimento dos dois países no período das grandes guerras, os russos ganharam destaque quando a Usina Nuclear de Chernobyl explodiu. 

O acidente nuclear ocorreu em 1986 e teve impactos catastróficos, sobretudo pela recusa da então União Soviética de revelar o tamanho real da tragédia. A cidade de Pripyat – onde a usina foi construída, sofreu e muito com isso. A demora na evacuação custou vidas e o nível de radiação atingiu países como a Suécia – mais de 1 mil quilômetros distante. 

Sobre os mortos, disse-se internacionalmente que 31 pessoas faleceram. Membros da Academia Russa de Ciências afirmam que por volta de 125 mil pessoas membras das equipes de limpeza de Chernobyl perderam a vida até 2005. 

À BBC, Viktor Sushko, que é vice-diretor-geral do Centro Nacional de Pesquisa Médica de Radiação, salienta categoricamente que o desastre de Chernobyl é o “maior desastre antropogênico da história da humanidade”. Para o órgão, 5 milhões de cidadãos da antiga União Soviética, inclusive 3 milhões na Ucrânia, foram afetados. O desenvolvimento de câncer é uma das doenças mais comuns. 

6. Furacão Katrina 

Embora estejam habituados com a incidência de furacões, os Estados Unidos foram atingidos com força pelo Katrina. Em 29 de agosto de 2015, o sul do país norte-americano viu suas dinâmicas transformarem para sempre. Principalmente Nova Orleans, que fica na Louisiana e recebeu o Katrina em sua capacidade máxima. 

Para se ter dimensão dos estragos, mais de 1.800 pessoas morreram no terceiro furacão mais mortal da história dos EUA. O Katrina perde apenas para o Galveston, de 1.900, que tirou a vida de 8 mil a 12 mil pessoas. Outro é o Okeechobee, de 1928, matou 3 mil cidadãos. Por falar em Louisiana, mais de 1 milhão de pessoas deixaram o estado na maior evacuação da história dos Estados Unidos. Os mais pobres, claro não conseguiram fugir. 

O então presidente George W. Bush ao lado dos antecessores Clinton e George Bush – gestão foi criticada por resposta fraca

Além das perdas de pessoas, a economia do país sentiu os reflexos de maneiras poucas vezes vistas. Foram 383 bilhões de prejuízo. Além das perdas, a administração de George W. Bush foi duramente criticada pela resposta demorada, a falta de meios de transporte para a saída foi um dos exemplos de despreparo do governo. 

7. Tsunami Oceano Índico 

O tsunami veio às vésperas do Natal

Ne reta final de 2004 a costa de Aceh, na Indonésia, foi atingida por um tsunami reflexo de um terremoto de magnitude 9,1. O evento respondeu pela morte de 226 mil pessoas no Sri Lanka, Índia, Tailândia e outros  nove países. Outras 1,8 milhão perderam suas casas e tragédia é tida até os dias de hoje como um dos eventos mais catastróficos de toda a humanidade. O prejuízo financeiro transitou na faixa dos 10 bilhões de dólares. 

O Centro Geológicos dos Estados Unidos diz que o terremoto teve uma energia equivalente ao lançamento de, pasmem, 23 mil bombas atômicas. 

8. Vulcão Vesúvio 

Atravessando um dos momentos mais delicados de toda sua existência com o novo coronavírus, a Itália já teve outras tragédias, talvez que mais salte aos olhos seja a erupção do Vulcão Vesúvio. Sem atividade há mais de 100 anos, ele dizimou as cidades de Pompeia e Herculano no ano 79 d.C. 

Ruínas de Pompeia e o Vesúvio ao fundo

A atividade entre os dias 24 e 25 de agosto deixou um rastro de destruição. Por volta de 2 mil pessoas morreram soterradas pela lava do vulcão. Os números assustam. E muito. Dados mostram que foram 300 quilômetros quadrados totalmente destruídos pelo Vesúvio, que soltou impensáveis 4 quilômetros cúbicos de magma

Mesmo diante dos fatos, os pés do Vesúvio são, até os dias de hoje, habitados por milhares de pessoas que insistem em construir suas casas debaixo de uma bomba relógio pela qualidade do solo. Ah, moldes de gessos construídos em um monumento mostram as pessoas nas posições em que perderam suas vidas. 

Estátuas das pessoas antes de morrer pela erupção do Vesúvio

9. Incêndio da Amazônia 

Na lista de tragédias recentes, o drama Amazônico segue fresco na memória mundial. Em agosto de 2019, o Brasil se tornou notícia internacional com o maior incêndio na floresta dos últimos nove anos. Ameaça direta ao meio ambiente. 

Mais de 30 mil focos ativos, de acordo com o Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Pesquisadores como Carlos Nobre manifestaram preocupação com a ameaça de desequilíbrio ambiental. Ele dividiu ao G1 os temores com a transformação da floresta tropical em savana. 

“Há indícios que o processo de savanização começou”, fez o alerta. Isso quer dizer que a Amazônia, se seguir neste ritmo, pode perder o verde da vegetação tropical e ficar parecida com o cerrado. 

10. Titanic

O Titanic mudou a segurança em alto mar

O naufrágio do Titanic em 1912 se tornou presente na memória de todos em função de Hollywood. O navio que partiu de Southampton, na Inglaterra, para Nova York, nos Estados Unidos com mais de 1.500 pessoas a bordo, viu o sonho de se tornar a embarcação mais luxuosa do mundo ruir ao colidir com um iceberg nas águas geladas do Oceano Atlântico. 

O Titanic, todavia, se tornou um marco para a segurança de navegação mundial. Autoridades britânicas e dos EUA determinaram que dali pra frente todos os navios deveria dispor de botes salva-vidas para os passageiros a bordo. Além disso, a simulação de exercícios e inspeções se tornaram o novo normal. As diretrizes fazem parte da Convenção Internacional para a Salvaguarda da Vida Humana no Mar, de 1914. 

11. 11 de setembro 

Todo mundo com 30 anos ou mais se lembra onde estava quando o maior símbolo de poder dos Estados Unidos, o World Trade Center, foi atacado numa manhã quente de verão em Nova York. 

Tudo acontecia dentro da normalidade no centro financeiro do planeta até que, pouco antes das 9h da manhã, um avião partiu ao meio um dos prédios do complexo de escritórios. Alguns minutos depois, a segunda torre sentiu o baque de um jato invadindo sua estrutura. 

Os Estados Unidos mergulharam em guerras sem fim após o 11 de setembro

Os Estados Unidos estavam sob ataque. O presidente norte-americano, George Bush, recebeu a notícia durante uma ação em uma escola. Sua cara em estado de paralisia é uma das imagens mais emblemáticas do século. Ao menos 3 mil pessoas foram mortas e outras 6 mil ficaram feridas na ação comandada por Osama Bin Laden, que só foi morto em maio de 2011, quando Barack Obama estava na Casa Branca. 

Bompeiros e policiais lutam até hoje por assistência estatal

A tragédia por si só já foi impactante o suficiente para mudar os rumos do planeta e enfiar os Estados Unidos em um caminho de guerras – Iraque e Afeganistão – que geraram perdas astronômicas. Apenas no Iraque, 4.421 soldados norte-americanos tinham morrido, entre eles 3.492 em ação. Estima-se que os EUA perderam US$ 975 bilhões no Iraque e outros US$ 975 bilhões no Afeganistão. 

Além disso, muitos dos primeiros socorristas morreram por doenças crônicas e os que ainda sobrevivem travam uma árdua batalha para que o governo garanta um seguro emergencial para o resto de suas vidas. 

12. Segunda Guerra Mundial 

‘Hitler está morto’, diz a manchete do jornal

A Segunda Guerra Mundial entra para a história pelo fim dos planos genocidas e racistas de Adolf Hitler – líder nazista da Alemanha. Ele se suicidou assim que teve certeza da derrota. O avanço das tropas russas, aliadas e dos Estados Unidos deixaram o nazista sem saída. 

Mas além disso, a Segunda Guerra foi responsável pela última reconfiguração geopolítica do mundo até hoje. Os Estados Unidos viram sua supremacia mundial aumentar com o  poder bélico e o Plano Marshall, estratégia de recuperação econômica que ajudou inclusive na recuperação de países europeus que sofriam com os reflexos do pós-guerra. Na África, países como a Nigéria alcançaram a independência, mas se mantiveram sob o domínio econômico dos EUA e da própria União Soviética. 

Tropas norte-americanas desembarcam na Normandia, França

13. Ciclone de Calcutá 

O evento é tido como um dos maiores desastres naturais de todos os tempos. O fenômeno atingiu o Rio Ganges em outubro de 1737, provocando ondas violentas de 13 metros de altura. 

O chamado ‘Ciclone de Calcutá’  rodou por 330 quilômetros da Ásia e matou cerca de 350 mil pessoas. 

14. Terremoto de Alepo 

A Síria, que tenta se reerguer após ser completamente destruída pela guerra, teve outro grande desafio há séculos atrás. O sismo de Apelo aconteceu em outubro de 1138 e deixou 230 mil mortos. 

Alepo sofre novamente pela destruição da guerra

Até hoje, o terremoto é tido como um dos maiores e mais mortais da história. Na época, Alepo fazia parte de um trio de ferro de cidades históricas e muito importantes, caso de Constantinopla e Cairo.  O tremor bateu os 8,5 na escala Richter. 

15. Terremoto de Valdivia 

O terremoto de Valdivia, no Chile, em 1960, respondeu pela erupção de um vulcão, a formação de um tsunami e a morte de mais de 5  mil pessoas e outras 2 milhões feridas. Foram 9 graus na escala Richter. 

O escritor Pablo Neruda escreveu um poema no livro ‘A Barcarola’ para descrever suas sensações durante o evento. O dinheiro das vendas foi revertido às vítimas do sismo. 

Pablo Neruda lançou um livro sobre as angústias de Valdivia

16. Acidente nuclear de Fukushima 

A explosão nuclear de Fukushima foi a maior desde Chernobyl

Em 2011, o Japão sofreu com um tsunami que resultou no acidente na Usina Nuclear de Fukushima e o derretimento de três dos seis reatores nucleares do local. Este, que é o maior desastre desde Chernobyl em 1986, chegou ao nível 7 na Escala Internacional de Acidentes Nucleares.

Um relatório do Comitê Científico das Nações Unidas sobre os Efeitos da Radiação Atômica aponta que 1.600 pessoas morreram e outras 171 mil deixaram suas residências para nunca mais voltar. 

 

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Fotos: Getty Images


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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