Debate

África: como o continente esnobado pelo noticiário combate o coronavírus

Karol Gomes - 19/03/2020

Burkina Faso registrou nesta quarta-feira, 18, a primeira morte por Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus. A vítima é uma política de alto escalão do país: a deputada, Rose-Marie Compaore, primeira vice-presidente do parlamento, do principal partido de oposição do país, a União para o Progresso e a Mudança (UPC). Com 62 anos e diabetes, ela pertencia ao grupo de risco da doença. 

A Burkina Faso tem 27 casos confirmados de coronavírus e também tem o maior número de contaminações suspeitas do continente: 200 pessoas do total de 228. 

Esta é também a quinta morte em todo o continente africano, que já tem 29 países afetados pelo vírus – as demais mortes registradas ocorreram na Argélia.

– Coronavírus e a inabilidade social do governo ameaçam negros e pobres

Com a notícia, o presidente da Organização Mundial da Saúde aconselhou o continente a “se preparar para o pior”. Comparativamente, a África tem um número número de mortes e infecções por coronavírus menor, mas nos últimos dias o número de infecções aumentou significativamente.

– Ministério da Saúde disponibiliza curso online para prevenir coronavírus

“A África deve acordar”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus em uma coletiva de imprensa em Genebra, observando que “em outros países vimos como o vírus acelera após um certo ponto de inflexão”.

Classificada como pandemia pela OMS, o novo coronavírus já atingiu 150 países infectando mais de 200.000 pessoas e matando 7.426. Segundo o boletim diário da OMS, somente na terça-feira (17 de março), foram identificados, fora da China, novos 11.486 infectados.

– O empresário com coronavírus que zombou da doença, alugou jatinho e colocou uma cidade em risco

Ruanda: as pessoas estão lavando as mãos em pias nos pontos de ônibus

Em resposta à pandemia, o governo de Burkina Faso decidiu proibir aglomerações de pessoas, além de fechar escolas e universidades. Já em Ruanda, também na África, uma medida inusitada tem dado resultados: em um terminal de ônibus na capital Kigali, uma porção de bacias portáteis foi instalada para que a população possa lavar bem as mãos antes de usar o transporte público.

Lavar as mãos por ao menos 20 segundos sempre que possível é uma das mais importantes recomendações para conter a epidemia do coronavírus pelo mundo. Embora os números oficiais ainda não tenham sido divulgados, o governo de Ruanda, já detectou casos da Covid-19 por lá e as autoridades do país na região centro-oriental do continente africano vêm trabalhando arduamente para manter que as confirmações não cresçam. 

– Coronavírus e relações de trabalho: mais de 40% do mercado, informais sofrem com paralisações

Além das bacias, o governo vem recomendando com contundência que as pessoas mantenham distância em contextos sociais, evitem tocar os olhos, nariz e boca, além de cobrir boca e nariz com um lenço ou o braço, caso precisem tossir ou espirrar. 

Os voos da RwandAir para China estão suspensos, e o primeiro-ministro Dr Edouard Ngirente assinou uma diretiva clamando que a população evite abraços e apertos de mão.

– Ela faz compras de idosos da vizinhança para evitar que se exponham ao coronavírus

No Brasil, os estragos provocados pela Covid-19 ainda são imprevisíveis. O vírus já matou quatro pessoas no país e foram registrados, oficialmente, 533 infectados em 20 estados e no DF, segundo balanços das secretarias estaduais de saúde. O Ministério da Saúde fala em 428 infectados.

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Fotos: foto 1: Getty Images/foto 2: Reprodução


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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