Sustentabilidade

África: o que se sabe sobre a maior invasão de gafanhotos do século

por: Vitor Paiva

Em meio às tantas tragédias que acometem o continente africano, entre o sem-fim de notícias sobre o coronavírus e outros males, a África também enfrenta atualmente mais uma consequências da crise climática que possui literalmente proporções bíblicas: trata-se da pior invasão de gafanhotos dos últimos 25 anos na região. Com mais de 200 milhões de insetos, a dimensão da nuvem é duas vezes maior que toda a cidade de Roma, e está se movendo do Quênia para o sul do Sudão e Uganda.

Trata-se de uma reedição na vida real da oitava praga do Egito, provocada não pela ira divina, mas sim pelo efeito da ação humana na natureza. Procurando por solo úmido e arenoso para depositar seus ovos e se reproduzir, eles se encontraram diante de uma situação anormal para proliferação, por conta de uma estação chuvosa muito mais longa do que o normal. A situação coloca diretamente em risco mais de 10 milhões de pessoas, com 4 milhões de crianças ameaçadas pelo raro fenômeno.

Pois o efeito do raro fenômeno é a devastação de colheitas, plantações e vegetações, capaz de devorar em um só dia uma quantidade de comida que alimentaria 90 milhões de pessoas. Quênia, Etiópia e Somália já lidam com escassez de alimentos, sobre uma situação que já era dramática mesmo antes da invasão de gafanhotos.

Caso o quadro se agrave, é provável que provoque mais uma migração em massa, fugindo não só dos insetos como de outros efeitos das mudanças climáticas, da desigualdade e, de modo geral, do capitalismo desenfreado.

 

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© fotos: divulgação 


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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