Viagem

Canais de Veneza estão com águas cristalinas por ausência de turistas

por: Vitor Paiva

A pandemia de coronavírus, através dos difíceis momentos que o mundo atravessa e ainda atravessará, já está nos nos fazendo rever muitos de nossos hábitos e determinações enquanto sociedade – e, pelo visto, ainda muito irá nos ensinar. A triste necessidade de entrarmos em quarentena revelou uma face inesperada: a redução da poluição em regiões indústrias como na China (com o fechamento das indústrias) e do impacto do turismo sobre o meio-ambiente em algumas das cidades mais visitadas do mundo. É o caso de Veneza que, por conta da terrível situação na Itália e da rigorosa quarentena que a cidade atravessa, viu suas águas, costumeiramente turvas e sujas, voltarem a se exibir cristalinas, com direito a peixes nadando nos canais.

© AFP

Trata-se de um efeito indireto provocado pela redução total na circulação de gôndolas, barcos e lanchas que cruzavam os canais da cidade diariamente. A transparência nas águas é algo que muitos venezianos jamais viram – não por acaso as fotos do atual cenário da cidade, se por um lado provocam angústia pelo vazio total (porém fundamental) dos caminhos dessa que costuma ser uma das cidades mais visitadas do mundo, por outro espantam pela renovação das águas de Veneza.

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A tonalidade curva e escura foi substituída por azuis, verdes, turquesas e transparentes que mostram como as águas da cidade poderiam ser – e já foram. Tal impacto não se deu só nos canais venezianos: assim como aconteceu na China, a poluição no norte da Itália reduziu drasticamente, como mostram fotos do satélite do programa Copernicus, da Agência Espacial Europeia.

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Não há lado bom da tragédia atual, mas há sim muito o que podemos aprender para quando conseguirmos controlar o novo coronavírus – para que justamente não retornemos a um cenário anterior que de normal não tinha nada, e que precisa ser superado para algo muito melhor, como mostram as águas de Veneza.

Cenário da poluição no norte da Itália: antes, à esquerda; depois, à direita.

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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