Debate

Como acusado por chacina na Amazônia vende gado para maior frigorífico do mundo

por: Vitor Paiva

Em abril de 2017, nove camponeses foram brutalmente assassinados em Colniza, no Mato Grosso, em crime no qual Valdelir João de Souza foi apontado como mandante. O fazendeiro teria contratado um grupo de “encapuzados” para cometer a chacina. Uma matéria do Repórter Brasil apontou que, ainda que esteja foragido da justiça há dois anos, Valdelir segue não só criando gado em sua fazenda em Rondônia, como vendendo para frigoríficos como JBS e Marfrig, e possivelmente praticando “lavagem de gado” para realizar as vendas. 

Parte da fazenda de Valdelir

A prática de “lavagem de gado” visa driblar a fiscalização no compromisso com “desmatamento zero” na Amazônia, consistindo na transferência de gado de uma fazenda com desmatamento para uma propriedade que tenha a ficha limpa para, na venda, encobrir a verdadeira origem dos animais. Imagens de satélite examinadas pelo Repórter Brasil mostram que boa parte da fazenda Três Lagoas, de Valdelir, foi desmatada em 2015, o que impediria que ele vendesse carne diretamente para JBS, por exemplo.

Gado na Amazônia

A fazenda não é irregular somente pelo desmatamento, mas também por estar dentro do Projeto de Assentamento Lajes, em Machadinho D’Oeste (RO), em tamanho superior ao permitido. Um mês depois da chacina ele teve sua prisão decretada, mas nunca se entregou e desde então segue foragido, enquanto o caso segue sem julgamento. A JBS negou qualquer vinculo ou acordo comercial com o pecuarista, assim como a Mafrig. Valdelir nega qualquer relação com a chacina, e afirmou não se entregar por medo de ser assassinado na prisão. A reportagem completa pode ser lida aqui.

Protesto contra a violência em Colniza

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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