Debate

Como o Tik Tok esconde usuários ‘feios’ e ‘pobres’ para atrair mais pessoas

Yuri Ferreira - 17/03/2020

O TikTok se consolidou como uma das maiores redes sociais de todo o mundo com seus vídeos curtos, divertidos e dinâmicos com músicas, danças e correntes absolutamente virais. Com mais de 500 milhões de usuários no mundo todo, o serviço, que tem como foco adolescentes e crianças, não é tão legal quanto os vídeos que ele mostra. Ao menos, é o que uma reportagem do The Intercept Brasil mostra.

Segundo a matéria, o TikTok mantém uma comunidade de moradores e treina o seu algoritmo para esconder o que eles consideram usuários feios e pobres da plataforma para atrair cada vez mais pessoas. A recomendação interna é que se evite pessoas com deficiência ou que não sejam bonitas e ambientes que pareçam pobres.

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Segundo documentos internos, o TikTok escondeu pessoas com deficiência e usuários que apareciam em ambientes pobres para novos clientes

Os documentos obtidos pelo The Intercept mostram que a empresa reduzia o alcance de pessoas que não se encaixassem no padrão: características como ‘forma corporal anormal‘, ‘aparência facial feia‘, ‘barriga de cerveja óbvia‘, ‘muitas rugas‘ e ‘problemas nos olhos‘ não são exibidas para novos usuários, assim como o ambiente de gravação é surrado ou está em ruínas” além de ‘favelas, campos rurais‘.

O porta-voz da empresa disse que se trata de uma medida que não é necessariamente utilizada e que talvez já tenha sido deixada de ser colocada em prática há muito tempo. Em uma denúncia similar feita em dezembro do ano passado, a ByteDance – empresa que cuida do TikTok – disse que a higienização desse tipo de conteúdo tinha como fim reduzir o bullying.

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Além disso, a plataforma tem como resolução censurar lives que tenham qualquer tipo de comentário político, em especial na China. “Difamação contra funcionários públicos, políticos ou líderes religiosos” e “as famílias desses líderes” estavam entre os motivos para banir uma conta da rede social.

Outros conteúdos que poderiam ser passíveis de banimento eterno da rede eram conversas com temática sexual, menores de idade grávidas, o fato de um mamilo ser perceptível ou uma ‘pata de camelo‘. A empresas alega que são medidas contra conteúdos sexuais ou pornográficos na plataforma.

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A forte vigilância do TikTok na China fez inclusive com que moderadores ficassem atentos para censurar  quaisquer citações à Praça da Paz Celestial, onde aconteceu o maior massacre da história do país, nos anos 90, assim como a independência do Tibete, pauta inimiga do governo chinês.

“Como todas as plataformas, temos políticas para proteger nossos usuários, e proteger a política nacional”, afirmou a empresa em resposta ao Intercept.

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Fotos: © Getty Images


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness.