Reportagem Hypeness

Comunicadores negros se apropriam dos podcasts e subvertem lógica racista

por: Kauê Vieira

Os podcasts não são lá bem uma novidade. Em meados de 2004, o meio de comunicação já estava ao alcance – sobretudo dos usuários do saudoso Ipod. O passar dos anos provocou um esfriamento na modalidade e muitos pensaram que a novidade estava fadada ao fracasso. 

– ‘Resistência sem perder a ternura’, Rita Batista reflete sobre caminhos da comunicação

Quinze anos depois, o cenário se modificou totalmente e os podcasts se tornaram uma ferramenta indispensável e que ao poucos faz parte da rotina das pessoas dentro e fora de suas casas. 

Dilma Campos, CEO da Outra Praia, em entrevista ao Meteora Podccast

O Spotify, que segundo informações do jornal o Globo investiu mais de 200 milhões de dólares para incrementar sua cartela de programas, viu a quantidade de ouvintes subir em 300%. Estamos, talvez, no momento mais importante desta tecnologia que não tem nada de revolucionária e nem vai tirar o lugar do rádio, mas que cumpre bem seu papel de democratizar a informação. 

“As pessoas estão cansadas, sobrecarregadas de tanto conteúdo que é despejado sobre elas diariamente. Acho que o aumento da popularidade dos podcasts têm muito a ver com isso. É a possibilidade de realmente ‘entender’ um assunto, consumi-lo com calma, compreendendo melhor suas nuances — que, no turbilhão de tudo que acontece todo dia, não temos condições de perceber”, diz o jornalista Tiago Rogero. 

Rogero é um dos repórteres da coluna de Ancelmo Gois no Jornal o Globo e criador do Negra Voz Podcast – plataforma com conteúdo voltado para assuntos da cultura negra do Brasil.  Ele pontua, em entrevista ao Hypeness, outros elementos que reforçam o aumento dos acessos.  

“A facilidade de acessar um conteúdo de qualidade enquanto você está fazendo outra coisa (lavando louça, exercitando-se, “viajando” até o trabalho e etc.), e também o aumento do acesso à internet e a smartphones — embora, claro, ainda exista uma enorme parcela da população que siga marginalizada também nesse sentido”.

O acesso à informação é vital para a formação de uma democracia e sociedades sólidas. E o trabalho de comunicadores negros atua no cerne da questão. Embora seja a principal ferramenta de acesso à internet no Brasil do século 21, o celular ainda reproduz estruturas excludentes. 

A Organização das Nações Unidas (ONU), representada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC.Br), mostrou por meio da pesquisa TIC Domicílios de 2017, que enquanto 99% da chamada classe A goza de acesso irrestrito à internet, as classes C e D estacionam nos 30%. 

Portanto, talvez o Negra Voz e outros podcasts não sejam capazes de transformar a realidade sozinhos, mas não se engane, pois a proposta de comunicadores como Tiago, que usa um dos maiores veículos de mídia do mundo como plataforma, tem influência na luta contra a desigualdade. 

Tiago Rogero, jornalista criador do Negra Voz Podcast

O jornalista explica que o programa é a conclusão de um sonho pessoal. “O Negra Voz surgiu de uma porção de inquietações minhas, que emergiram paralelamente. Uma delas foi a urgência por fazer algo profissionalmente que, para mim, pudesse ter um significado maior”, inicia. 

– Cristiele França, a radialista que leva o candomblé e os orixás para o cotidiano de Salvador

A  linha seguida por Tiago Rogero na plataforma tem potencial suficiente para virar o jogo. Como? Ora, por meio dos assuntos propostos pelos cinco episódios. A gente já chega lá…

“Trabalho como jornalista desde 2009, sempre com notícias diárias (o tal do ‘hard news’). Compreendo e admiro muito a importância desse tipo de cobertura — especialmente para uma democracia em risco, como a nossa —, mas sentia a necessidade de fazer algo de fôlego e reflexão. Ao mesmo tempo, fui me envolvendo e me conectando cada vez mais com esse conhecimento e cultura que, enquanto pessoa negra no Brasil, me foi negado desde a escola”, afirma. 

Aliás, Rogero confidencia que a efetivação dos planos emergiram depois de um encontro com a escritora Conceição Evaristo.  

O ponto de ebulição foi em maio de 2018, quando assistia a uma mesa de Conceição Evaristo mediada por Flávia Oliveira — minha grande referência profissional — no Salão Carioca do Livro. Conceição disse: ‘Ensinam a Revolução Farroupilha nas escolas, mas não a Revolta dos Malês’. Aquilo acendeu uma fagulha, que virou chama. E decidi começar um projeto de fôlego que contasse essas histórias que não aprendemos na escola ou mesmo na mídia mainstream, seja pela imprensa ou por filmes, séries, novelas e etc. Nesses anos de profissão, eu já chorei por tristeza ou revolta (comigo mesmo, nunca diante de alguém cuja história eu estava tentando contar). Em novembro de 2018, quando ouvi pela primeira vez o piloto que havia acabado de editor para o ‘Negra Voz’, chorei por realização.

Os episódios

Nos cinco episódios da primeira temporada, o Negra Voz Podcast fala de tudo um pouco. Os destaques ficam para a divulgação de uma entrevista inédita da atriz Ruth de Souza, falecida em 2019, uma conversa com a escritora Conceição Evaristo e a história de quatro bailarinas brasileiras, entre elas Mercedes Baptista – primeira bailarina negra a dançar no Municipal do Rio e Janeiro. Detalhe, Tiago entrevista a bailarina Ingrid Silva, também negra e  do Rio, que agora dança no Balé de Nova York e encanta o mundo com seu talento. Em tempo, o Hypeness conversou com Ingrid sobre sua trajetória de sucesso.

– Ingrid Silva: a estrela do balé de Nova York que trouxe visibilidade negra para a dança

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seu próprio tom de pele da cabeça aos pés, e você não vê uma barreira ou um empecilho…"⁣ ⁣ ⁣ Nos últimos 11 anos, a @ingridsilva precisou pintar as próprias sapatilhas.⁣⁣ ⁣⁣ Ela contou sua história no Negra Voz #podcast.⁣⁣ ⁣⁣ O episódio conta a história de quatro bailarinas negras brasileiras:⁣⁣ ⁣⁣ Mercedes Baptista (1921-2014), Consuelo Rios (1923-2010), Bethania Gomes e Ingrid Silva.⁣⁣ ⁣⁣ Quatro histórias impressionantes, separadas por décadas (a 1ª nasceu em 1921; a mais nova, em 1988), mas interligadas.⁣⁣ ⁣⁣ Todas precisaram sair do Brasil para conseguir reconhecimento.⁣⁣ ⁣⁣ Na bio, links para todos os episódios da 1ª temporada do Negra Voz.⁣⁣ ⁣⁣ #Repost @ingridsilva: ELAS CHEGARAM!!!⁣⁣ Pelos últimos 11 anos, eu sempre pintei a minha sapatilha. E finalmente não vou ter mais que fazer isso!⁣⁣ FINALMENTE🙌🏽🔥⁣⁣ E uma sensação de dever cumprido, de revolução feita, viva a diversidade no mundo da dança. E que avanço viu demoro mas chego! A vitória não é somente minha e sim de muitas futuras bailarinas negras que virão por aí ❤️⁣⁣ ⁣⁣ #podcast #podcastbrasil #negritude #podcastbr #historia #historiadobrasil #historianegra #blackpower #afrobrasil #afrobrasileira #afrobrasileiro #blackmoney #africabrasil #balé #ballet #dance #afrodance #afrodancers #mercedesbaptista #intelectuaisnegras #beatriznascimento⁣ #ingridsilva #ingridsilvaballetworld

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Coincidentemente (juramos que sim), a história das bailarinas é o episódio favorito de Rogero. 

O 5º episódio, que conta a história de quatro incríveis bailarinas negras brasileiras: Mercedes Baptista, Consuelo Rios, Bethania Gomes e Ingrid Silva. Além das histórias delas, que me emocionam — e revoltam, nos pontos em que evidenciam o racismo estrutural —, e da possibilidade de contar uma história ainda mais invisibilizada (a da Dona Consuelo), foi definitivamente o grande desafio narrativo. São quatro histórias impressionantes separadas por décadas (a primeira nasceu em 1921; a mais nova, em 1988), mas interligadas. Foi bem trabalhoso conectá-las ao longo do roteiro, incluindo elementos e contextos históricos (do desfile do Salgueiro de 1963 à morte do reverendo Martin Luther King Jr.), mas muito gratificante no fim. 

Meteora: pluralidade de mulheres negras 

Já que estamos falando sobre a brilhante trajetória de mulheres negras, apresentamos aos nossos leitores duas comunicadoras de mão cheia. A publicitária Renata Hilário e a jornalista Cristiane Guterres transformaram a amizade em um podcast dos bons: já ouviu falar do Meteora?

A Cris Guterres, minha parceira no podcast, é jornalista. Ela sempre foi uma pessoa que se posicionou nas redes sociais e possui essa veia influenciadora. Eu sempre fui mais dos bastidores. E ela trazia pautas e temas que geram debates interesse da comunidade negra, especialmente das mulheres negras. Eu, por outro lado, nessa minha formação de bastidores – sou publicitária e tenho uma formação de Rádio e TV – , sempre gostei muito desse meio de comunicação. Um dia comentei assim, ‘Cris, você devia ter um podcast eu ia consumir muito’. Ela falou, ‘ah, será? Vamos fazer?’. Eu topei e no começo era muito despretensioso. Não imaginava que chegaria tão longe em um curto período. A gente fala que é o projeto mais legal dos outros que a gente toca. O Meteora foi tomando um rumo gigantesco, conta com alegria Renata Hilário, que também é formada em Rádio e TV, ao Hypeness. 

O Meteora está em órbita desde setembro de 2018. E olha, Cris e Renata falaram de tudo nestes dois anos. O mais interessante é a proposta da dupla, que propõe debates imprescindíveis sobre questões que dizem respeito às mulheres, mas pela fundamental e muitas vezes negligenciada ótica de mulheres negras. 

Renata Hilário e Cris Guterres à frente do Meteora Podcast

“Falamos sobre tudo de acordo com o nosso olhar. Não só sobre racismo. É por isso que as pessoas se identificam. É importante tirar essa questão de ‘vamos falar só sobre a negritude’, porque uma coisa que nos incomoda muito é ser chamada só para falar disso, para participar de uma roda de conversa só sobre isso. As pessoas colocam a gente nessa caixinha e temos que tomar cuidado para não cair nessa armadilha. A gente pode falar de tudo de acordo com a nossa vivência e perspectiva”, pontua Renata. 

A publicitária  aproveita para falar de outro ponto alto do Meteora, o debate sobre masculinidades negras, que promoveu a tão defendida interação entre homens e mulheres pretas. 

“O Ressignificando Ciclos foi um programa bem difícil sobre morte. Recebemos depoimentos de gente que precisava ouvir e estava depressiva. Teve ainda o sobre corpos e outro bem legal foi o que tratava de masculinidades.  Muitos homens mandaram mensagens pra gente falando da importância de trazer esses temas. Conversamos com o Roger Cipó [fotógrafo] e o João Vieira [jornalista]. Foi bem marcante”, conclui. 

O destaque obtido pelo Meteora na lista de podcasts mais interessantes do momento se dá pelo pensamento coletivo proposto por Renata e Cris. Embora sejam a voz dos programas, elas não estão sozinhas e contam com colaborações luxuosas do peso de Dona Jacira, uma griot que sabe muito sobre a vida, principalmente das plantas, além de   Tatiane Lisbon, a astróloga Papisa. 

Isso rendeu reconhecimento e colocou o Meteora como uma das principais referências entre os podcasts. Renata Hilário relembra o projeto ‘Negros Brasileiros’, que com apoio dos coletivos Publicitários Negros e o Coletivo Gana , questionou a eleição dos chamados brasileiros do ano pelas grandes revistas, “eram apenas pessoas brancas e isso incomodou muito”.  

“Nos reunimos dentro desse grupo de comunicadores para fazer a nossa lista, mas sem eleger 10 pessoas. O ‘Negros Brasileiros’ serve como uma fonte de busca porque tem diversas categorias de profissionais negros, talentos de todo o país.  O projeto pretende seguir em 2020 trazendo outras referências para que as pessoas que trabalhem com produção de conteúdo tenham como buscar outras vozes e não ter a desculpa de ‘ah, eu queria mas não conheço’ pra usar sempre as mesmas pessoas. O projeto tenta promover essa mudança no sistema. Necessária, urgente e pra ontem”

Cris Guterres faz coro com Renata e divide a importante visão de uma jornalista negra sobre o mercado e de que formas o Meteora pode mudar a realidade. 

“O Meteora surge muito nessa coisa de nós estarmos cansadas do nosso silêncio se transformar em arma na mão dos nossos opressores. Não dá para ficarmos calados, nós vamos contar a nossa história”, Cris Guterres chama a atenção. 

A jornalista endossa e sublinha como estes microfones independentes fomentam novos espaços de comunicação na subversão da ordem racista que infesta a mídia e a sociedade brasileira como um todo. 

A história do povo brasileiro foi sempre contada a partir de uma lógica branca do senhor do engenho. Nunca da nossa. Essa necessidade da gente não ser mais somente um corpo na página policial, nas notícias de violência do Datena. De sermos sempre os acusados, os réus.  Da necessidade de construirmos as nossas próprias narrativas. E dentro dessa pergunta ainda tem a questão da busca de um ideal negro sem defeitos. Existe essa busca! Eu cresci com meu pai dizendo que por ser preta tinha que ser duas vezes melhor. Eu conheço inúmeras mulheres que cresceram ouvindo isso

Cirs usa, inclusive, o exemplo de Maria Julia Coutinho, atacada por outros profissionais de imprensa quando se tornou a primeira mulher negra à frente de um telejornal diário e exibido para todo o Brasil na TV Globo. 

“Eu vejo pessoas que não são negras, que são medíocres, não moraram fora, que não têm MBA, não falam inglês e mal tem uma faculdade e tão produzindo coisas medíocres e o espaço, a janela, a vida está toda aberta pra elas.  O exemplo básico é a Maju Coutinho. As pessoas começaram a contar quantas vezes ela errava no ‘Jornal Hoje’ para ter uma prova de que ela não era uma mulher adequada para apresentar esse jornal. Ela é a melhor mulher para apresentar aquela porcaria de jornal. Na verdade, a Maju não é a melhor para apresentar porque aquilo é uma porcaria de jornal. Não quero colocar em dúvida a qualidade de produtos de colegas jornalistas, mas a gente sabe que a Rede Globo produz um conteúdo completamente manipulador.  A Maju merece muito mais. A Maju não merece estar na bancada do Jornal Hoje. Ela é uma jornalista de qualidade infinita”, enfatiza Guterres.  

Que finaliza, ainda sobre Maju, “[ela] foi completamente questionada, coisa que não aconteceram com jornalistas homens. Porque outras jornalistas não negras, mas também mulheres foram questionadas por seus erros”

Vozes negras que ecoam 

Não há dúvida de que as redes sociais mudaram a forma de interação entre pessoas (dentro e fora da internet). A proliferação de novas ferramentas de comunicação revelou rostos e vozes de homens e mulheres negras com uma nova visão sobre a realidade. 

Diferente do tradicional embranquecimento que toma conta de praticamente todos os setores sociais, nos dias de hoje é possível bater de frente com excelentes análises e papos sobre os mais diversos assuntos. A exposição de youtubers, instagrammers e outras nomenclaturas ajudou, inclusive, na mudança dentro das redações de veículos de comunicação. 

A jornalista Yasmin Santos fez um dos depoimentos mais importantes sobre representatividade na imprensa do Brasil. Em ‘Letra Preta’, ela deu ofereceu um relato pessoal sobre a ausência de afro-brasileiros e como o racismo atuava dentro da redação da Piauí,  uma revista que se apresenta como progressista. 

Tiago Rogero faz oficina de podcasts no Observatório de Favelas, na Maré

– Parcialidade racial: time da CNN Brasil gera debate sobre diversidade e presença de negros na mídia

“Assim como eu, cerca de 63% dos profissionais que entrevistei disseram ter experimentado algum tipo de sofrimento psicológico dentro da redação. A sensação de não pertencimento é uma constante e colabora para a intensificação da insegurança”, diz trecho do texto da jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. 

Tiago Rogero, que também atua em um veículo da grande mídia, vê os podcasts com otimismo, mas aponta para as poucas opções encabeçadas por pessoas negras nas grandes plataformas de stream. 

O podcast está somando, sendo mais uma ferramenta para que pessoas negras possam exercer suas vozes e expressar seus conhecimentos e visões de mundo. Para que sigamos como protagonistas de nossas próprias histórias, e não mais ‘objetos’ de estudo. Contudo, embora haja felizmente um número cada vez maior de podcasts produzidos e apresentados por pessoas negras, devemos lembrar que a ‘cena’ no Brasil é majoritariamente branca. Basta dar uma olhada nos ‘Top 10’ diários dos principais publicadores, como Spotify e Apple: os podcasts feitos por pessoas negras ainda são exceção nessas listas. É um reflexo, claro, das estruturas da sociedade, de quem têm e sempre teve as oportunidades e de onde o investimento costuma circular. O fato de que o podcast é uma mídia mais ‘democrática’, em que é possível lançar um bom produto — com qualidade profissional, inclusive — usando ferramentas gratuitas contribui para que tenhamos mais pessoas negras envolvidas, mas ainda é muito pouco. Porque quanto mais tempo investido, melhor fica o podcast. E ainda são pouquíssimas as pessoas negras que conseguem dedicar a maior parte do seu tempo à produção de seus programas.

Cris cita Renata, colega de bancada no Meteora, e dá o recado de que pessoas negras que militam na área de comunicação não vão mais permitir o silenciamento, mesmo que a prática seja exercida até hoje pelos grandes barões da mídia

Eu sinto muito orgulho, a comunicação é a minha alma e eu amo gente. Eu amo falar, me comunicar e quando a gente agrega a palavra negras ao comunicador, demonstra que as pessoas estão reconhecendo que, de fato, nós assumimos essa luta como nossa. A luta de busca pela igualdade racial. Me sinto muito feliz quando Renata e eu somos reconhecidas como comunicadoras negras e como comunicadoras negras produzindo um conteúdo de qualidade. Me sinto orgulhosa por estar sendo reconhecida pelo que eu propus. Reconhecida por quebrar a máquina do silêncio, estilhaçar como disse Conceição Evaristo. Trazer à tona a minha fala para que meu silêncio não se torne uma arma que possa me matar.  Estamos em um país onde a maior necessidade não é social, é de raça. Ou a gente muda a questão racial, ou nunca vamos avançar. Continuar fazendo o que estamos fazendo esses anos todos e dizendo que somos todos iguais, é não fazer nada pelas pessoas negras e ver o aumento dos indicadores de assassinatos, de morte, de violência, todos relacionados às pessoas negras. É permanecer matando pessoas negras

Para ouvir: 

Meteora Podcast no Spotify

Negra Voz Podcast no Spotify

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Fotos: Reprodução/Instagram


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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